Uma denúncia de violência sexual contra uma criança mobilizou as autoridades de Araçatuba (SP) e resultou em buscas na clínica e na casa de um psicólogo suspeito de estuprar um paciente de apenas cinco anos. O menino, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), teria sido abusado durante uma sessão de terapia no dia 6 de janeiro.
A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) cumpriu mandados de busca e apreensão no consultório e na residência do investigado. Durante as diligências, os policiais apreenderam um celular, um notebook e duas listas de pacientes — todas compostas exclusivamente por crianças com TEA encaminhadas pela Prefeitura de Araçatuba para atendimento psicológico.
O relato da família
A denúncia foi registrada pela mãe da vítima. Segundo ela, ao final da sessão, o psicólogo pediu que ela se retirasse da sala e fechou a porta, permanecendo a sós com o menino. Já em casa, a mulher percebeu que o filho apresentava um comportamento diferente. Ao ser questionado, a criança relatou que o profissional havia lhe dado beijos na boca e esfregado o órgão genital em sua barriga.
Os pais gravaram em vídeo o relato do menino e entregaram as imagens à polícia como parte das provas. O material agora passa por análise e deve integrar o inquérito.
MP pede suspensão profissional
Diante da gravidade das acusações, o Ministério Público solicitou à Justiça a suspensão imediata do exercício profissional do psicólogo. No pedido, a Promotoria argumenta que há “justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais” e “risco concreto de reiteração delitiva”, já que o investigado mantinha contato contínuo e institucionalizado com crianças em situação de vulnerabilidade por meio do convênio com a prefeitura.
A Justiça ainda não se manifestou sobre o pedido.
Prefeitura rompe contrato
A Prefeitura de Araçatuba anunciou a suspensão imediata de todos os atendimentos e do convênio com o psicólogo investigado. Em nota, a administração municipal informou que o contrato será anulado definitivamente após a conclusão das investigações.
A gestão garantiu que os pacientes que tinham sessões agendadas com o profissional serão remanejados para outros prestadores da rede conveniada, assegurando a continuidade do tratamento das crianças com TEA. O município reforçou ainda que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
A investigação segue em andamento na DDM de Araçatuba. Até o momento, o psicólogo não teve o nome divulgado e não há informação sobre sua defesa.
