Entre os cerca de 100 nomes que compõem o mais recente organograma do Primeiro Comando da Capital, elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol), um se destaca: Adeilton Gonçalves da Silva, conhecido como Maranhão. Segundo o levantamento, ele seria o único integrante da chamada “Sintonia Final” — núcleo máximo da facção — que atualmente estaria em liberdade.
A Sintonia Final é o grupo responsável pelas decisões estratégicas da organização criminosa. O núcleo é liderado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal liderança do PCC desde o início dos anos 2000.
Apesar da posição de destaque na hierarquia, Maranhão mantém um histórico judicial público discreto. De acordo com reportagem do portal Metrópoles, foram localizados três processos no Tribunal de Justiça do Amazonas, todos já encerrados, relacionados a porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas. Não há registros recentes de condenações de grande repercussão envolvendo seu nome.
Transferência após crise no sistema prisional
Maranhão esteve entre os nove detentos transferidos para presídios federais em maio de 2019, após uma sequência de confrontos em unidades prisionais de Manaus que deixou 55 presos mortos. Os assassinatos foram atribuídos à disputa entre facções rivais pelo controle interno das cadeias, e as vítimas apresentavam sinais de asfixia e espancamento.
Na ocasião, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que as transferências tinham como objetivo isolar lideranças apontadas como responsáveis por ordenar ou articular os ataques, na tentativa de conter novos episódios de violência. Dias depois, o governo estadual ampliou a estratégia, promovendo novas remoções de detentos considerados de alta periculosidade para o sistema federal.
Estrutura e presença nas ruas
No organograma do Dipol, Maranhão aparece na Sintonia Final, estrutura que concentra as diretrizes repassadas às demais áreas da facção, como as sintonias do Sistema Prisional, dos Estados e Países e o setor financeiro.
O modelo de organização em “sintonias” foi consolidado após Marcola assumir o comando do grupo, reorganizando a facção em divisões funcionais capazes de manter as atividades mesmo com parte das lideranças encarceradas.
De acordo com o levantamento, dos 89 integrantes efetivos mapeados na atual estrutura do PCC, 37 estariam em liberdade — o equivalente a 42% das principais lideranças. Entre eles, Maranhão é apontado como o único integrante da cúpula máxima fora do sistema prisional.
O retrato traçado pela inteligência policial indica que, mesmo com parcela significativa do comando atrás das grades, a organização mantém quadros estratégicos atuando fora das prisões — alguns deles com pouca exposição pública e histórico judicial restrito.
