Áudios divulgados pelo programa Fantástico, da TV Globo, revelam que o manobrista responsável pela manutenção da piscina da academia C4 Gym, na zona leste de São Paulo, recebia orientações diretas de um dos proprietários sobre a aplicação de produtos químicos na água. O conteúdo integra a apuração sobre a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, ocorrida após ela passar mal na sequência de uma aula de natação.
Segundo a reportagem, o funcionário Severino José da Silva era orientado por mensagens enviadas por Celso Bertolo, um dos sócios do estabelecimento. Em um dos áudios exibidos, o empresário afirma: “Nossa, eu olhei pela câmera e ela tá horrível. Eu tô achando que tá sem cloro. Mede ela a hora em que você for lá que, se bobear, a gente joga até um pouco mais. Eu deixei cinco medidas, mas vamos medir pra ver”.
Em outro trecho mencionado na reportagem, o teor das conversas indica a possibilidade de reforço na cloração da piscina, com a orientação para aplicar uma quantidade mais elevada do produto. “Mano, a piscina tá cada vez ficando mais feia. Certeza que é falta de cloro. Hoje, a hora em que você for, a gente mede e dá uma clorada mais forte pra amanhã estar bonita”, disse o empresário.
A defesa de Severino, representada pela advogada Bárbara Bonvicini, afirmou que o funcionário não possui formação técnica específica para o manuseio químico da piscina. Segundo ela, ele realizava a medição diária da água, enviava foto do medidor ao proprietário e aguardava instruções sobre quais produtos utilizar e em que quantidade.
A morte de Juliana é investigada pela Polícia Civil, por meio do 42º Distrito Policial, no Parque São Lucas. A principal linha de apuração considera a hipótese de intoxicação por agentes químicos presentes na água. Outras pessoas que estavam na academia no mesmo dia também relataram mal-estar, informação que passou a integrar o inquérito.
Laudos periciais e análises técnicas são considerados fundamentais para esclarecer a dinâmica dos fatos. A definição sobre causa da morte e eventual responsabilização criminal dependerá da consolidação das provas reunidas ao longo da investigação, incluindo exames laboratoriais, depoimentos e registros de comunicação.
