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Técnico de enfermagem é preso suspeito de matar pacientes em UTI com injeções letais

Duas técnicas de enfermagem também foram presas por suspeita de participação ou omissão nos crimes.

por Fabricio Oliveira
26/01/2026 às 10:07
em POLÍCIA
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A Polícia Civil do Distrito Federal investiga uma série de homicídios ocorridos dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular no Distrito Federal. Um técnico de enfermagem de 24 anos foi preso sob suspeita de matar ao menos três pacientes por meio da aplicação indevida de substâncias letais diretamente na corrente sanguínea.

Segundo a investigação, os crimes ocorreram principalmente em 17 de novembro de 2025, quando dois pacientes internados na UTI sofreram sucessivas paradas cardíacas após receberem injeções aplicadas pelo técnico. As vítimas, Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, e João Clemente Pereira, de 63, chegaram a ser reanimadas, mas morreram após novas aplicações das substâncias.

“Cada reanimação ele aplicava alguma coisa, até mesmo na frente dos médicos, e ninguém percebia nada”, afirma uma das filhas da vítima Miranilde, Kássia Leão. “Eu pensando que ele estava salvando a minha mãe. Ele estava matando cada vez mais a minha mãe”.

Imagens das câmeras de segurança da UTI registraram o suspeito utilizando senhas de médicos que não estavam de plantão para inserir prescrições falsas no sistema hospitalar e retirar medicamentos da farmácia interna. A perícia confirmou que o cloreto de potássio não possuía indicação clínica para os pacientes e que sua administração em doses elevadas ou de forma rápida pode causar arritmias graves e parada cardíaca imediata.

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Além do medicamento, a polícia apurou que o técnico também teria injetado desinfetante hospitalar, substância capaz de provocar choque circulatório severo e colapso cardíaco. Parte das aplicações ocorreu na presença de outras duas técnicas de enfermagem, que teriam participado dos procedimentos de reanimação sem impedir a conduta criminosa.

A terceira vítima identificada foi Marcos Raymundo Moreira, carteiro internado no Hospital Anchieta em 18 de novembro, com suspeita de pancreatite. Sem histórico de problemas cardíacos, ele sofreu paradas cardíacas após receber injeções aplicadas pelo mesmo técnico e morreu em 1º de dezembro, após 14 dias de internação.

Em depoimento, o técnico negou inicialmente as acusações, mas confessou os crimes após ser confrontado com as imagens da UTI. De acordo com a polícia, ele apresentou justificativas consideradas inconsistentes, como excesso de trabalho e a alegação de que pretendia aliviar a dor dos pacientes. As motivações do crime continuam sob investigação.

“Ele, toda vez que injetou alguma medicação na veia dos pacientes, em segundos elas apresentaram paradas cardíacas”, diz o delegado Wislley Salomão.

As duas técnicas de enfermagem presas foram encaminhadas à penitenciária feminina do Distrito Federal. A polícia sustenta que ambas presenciaram as aplicações letais e não adotaram medidas para impedir o resultado. A defesa de uma delas afirma que ela teria sido manipulada emocionalmente pelo técnico, com quem mantinha relacionamento, e nega qualquer participação nos homicídios.

O caso ganhou repercussão nacional após reportagens exibidas pelo Fantástico. Em nota, o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal manifestou preocupação com o impacto do caso e alertou para que a conduta individual não seja generalizada à categoria. O hospital informou que repudia os atos, prestou solidariedade às famílias das vítimas e afirmou ter comunicado imediatamente os fatos às autoridades. A polícia segue apurando se há outras vítimas, e o inquérito tramita sob sigilo.

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