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A importância dos trabalhadores e das organizações sindicais na indústria do etanol

por Fabio Ishizawa
14/01/2026 às 09:45
em ARAÇATUBA, COLUNISTAS
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Por: José Roberto da Cunha

O setor de fabricação do etanol ocupa posição central na economia brasileira e, em especial, no Estado de São Paulo, sendo grande responsável por parcela expressiva da produção nacional. No entanto, por trás dos números expressivos e do elevado poder econômico das empresas do setor, está o trabalho de milhares de homens e mulheres que garantem, diariamente, o funcionamento das usinas, destilarias e plantas industriais.

Os trabalhadores da indústria do etanol exercem atividades complexas, muitas vezes em ambientes de risco, com exposição a agentes químicos, calor intenso, jornadas diferenciadas e processos produtivos que exigem qualificação técnica e responsabilidade. A valorização desses profissionais, portanto, não é apenas uma questão de justiça social, mas um requisito essencial para a sustentabilidade do próprio setor.

ANUNCIANTE

Nas últimas décadas, importantes avanços foram conquistados em termos de direitos, salários, benefícios e melhoria das condições de pactuação da força de trabalho. Esses avanços não ocorreram de forma espontânea ou por mera liberalidade do ente empregador, mas foram e continuam sendo resultados direto da organização coletiva dos trabalhadores e da atuação firme dos sindicatos na mesa de negociação. A negociação coletiva mostrou-se instrumento fundamental ao equilíbrio entre as partes desiguais economicamente, face ao grande poder econômico das empresas do setor sucroenergético.

No Estado de São Paulo, onde se concentra o maior número de plantas industriais e trabalhadores do setor, a ação sindical estruturada permitiu a celebração de convenções e acordos coletivos que asseguraram pisos salariais mais dignos, cláusulas de proteção à saúde e segurança, melhorias nas condições de trabalho, avanços em benefícios sociais e maior previsibilidade nas relações laborais. Um verdadeiro avanço social e econômico para a categoria dos trabalhadores. No plano nacional, a experiência paulista tornou-se referência e fortaleceu a luta dos trabalhadores em outras regiões do país.

Porém, os desafios não cessam. A incorporação de novas tecnologias, a busca incessante por redução de custos e o cenário econômico instável impõem pressão permanente sobre os direitos trabalhistas. Nesse cenário atual, torna-se cada vez mais necessário que os sindicatos estejam preparados técnica, política e juridicamente para o enfrentamento na mesa de negociação.

A qualificação das entidades sindicais, o fortalecimento da unidade entre os trabalhadores e a valorização da negociação coletiva são elementos indispensáveis para enfrentar um setor altamente concentrado e economicamente poderoso. Somente sindicatos organizados, com capacidade de mobilização e sólidos fundamentos técnicos, conseguem garantir que os ganhos de produtividade e os lucros do setor também se revertam em melhores salários, condições de trabalho mais seguras e respeito à dignidade humana.

A história recente demonstra que, onde há organização coletiva e negociação firme, há avanços. E é nesse caminho que os trabalhadores do setor sucroenergético devem seguir: fortalecendo seus sindicatos e ampliando sua capacidade de luta, para que as conquistas alcançadas sejam preservadas e novos direitos sejam construídos.

  • *José Roberto da Cunha.
  • Presidente do Sindalco – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e da Fabricação de Álcool, Etanol, Bioetanol e Biocombustível de Araçatuba e Região.

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