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BALANÇO

Operação Raio-X: polícia apreendeu mais de R$ 1 milhão. Prefeitos são investigados

A mega-operação da Polícia Civil em parceria com o Ministério Público (Gaeco) desencadeada a partir de inquéritos instaurados no Deinter – 10, em Araçatuba, resultou na apreensão de mais de R$ 1 milhão em dinheiro, três aviões, 47 carros, a maioria de luxo, além de computadores, notebooks, livros de anotações e telefones celulares em diversas cidades nos estados de São Paulo e Pará, na manhã desta terça-feira (29), conforme balanço parcial divulgado pela Polícia Civil.

O objetivo da operação é desmantelar um grupo criminoso especializado em desviar dinheiro destinado à saúde mediante celebração de contratos de gestão entre municípios e Organizações Sociais.

O delegado Fábio Neri Pistori, do Deinter 10, um dos responsáveis pela investigação, disse que, como esta ainda é a primeira fase, por isso a Polícia e Ministério Público ainda não iriam divulgar os nomes dos envolvidos e nem das organizações sociais investigadas.

No entanto, a reportagem apurou que os prefeitos Cristiano Salmeirão, de Birigui e Célio de Oliveira, de Penápolis, e o deputado estadual Roque Barbieri estão entre os investigados, sendo que no último dia 21 o desembargador Ademir Benedito, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou o desmembramento do processo investigativo tendo em vista o foro por prerrogativa de função, que atrai a competência das investigações envolvendo os três para segunda instância.

Até o último balanço divulgado pela Polícia Civil, 52 pessoas haviam sido presas. Entre elas estava o vereador José Roberto Merino Garcia, o Paquinha, de Birigui, o secretário da Saúde de Penápolis, Wilson Carlos Braz, além de um dos responsáveis por uma das OSs investigadas, e o responsável pelo RH, um homem de Araçatuba, dois médicos de Penápolis e um de Birigui.

Também foi cumprido um mandado de busca na casa do diretor da DRS (Direção Regional de Saúde), Sérgio Smolentzov, onde policiais apreenderam equipamentos eletrônicos e alguns documentos, e também na sede da repartição.

A investigação, que conta com inquéritos policiais e civis instaurados, teve a duração de aproximadamente dois anos, período este em que foram levantadas informações que indicam a existência de um sofisticado esquema de corrupção envolvendo agentes públicos, empresários e profissionais liberais, bem como de desvio de milhões de reais que deveriam ser aplicados na saúde.
Em decorrência desse trabalho investigativo foram expedidos 64 mandados de prisão temporária e 237 mandados de busca, sendo 180 no estado de São Paulo e 57 nos demais estados, além do sequestro de bens e valores.

As prisões e as buscas se deram em dezenas de município do estado de São Paulo, dentre eles Penápolis, Araçatuba, Birigui, Osasco, Carapicuíba, Ribeirão Pires, Lençóis Paulista, Agudos, Barueri, Guapiara, Vargem Grande Paulista, Santos, Sorocaba, bem como em cidades do Pará, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Para o cumprimento dos mandados foram convocados 816 policiais civis de todo o estado, 204 viaturas policiais e dois helicóptero da Policia Civil. Por parte do Ministério Público, 30 Promotores de Justiça e 10 Agentes de Promotoria participaram da operação.

Também cooperaram policiais civis de outros estados e a Polícia Federal no estado do Pará, onde objetivou-se o cumprimento do maior número de prisões temporárias e mandados de busca e apreensão fora do estado de São Paulo e que nesta data também deflagraram a Operação SOS.

De acordo com a investigação, há indícios de esquema de desvio de verba pública por meio da celebração de contratos de gestão entre Organizações Sociais e o Poder Público, em sua maioria, através de procedimentos licitatórios fraudulentos e contratos superfaturados.

No transcorrer da investigação identificou-se dezenas de envolvidos com o grupo criminoso divididos em diversos núcleos, cada qual com sua colaboração na prática das supostas infrações penais.
De acordo com o apurado, houve a aquisição de grande quantidade de bens móveis e imóveis, sendo que parte da evolução patrimonial do grupo se deu justamente no período da pandemia.

Outro lado

O prefeito de Birigui, Cristiano Salmeirão, enviou uma nota por meio da assessoria imprensa sobre o assunto. “Recebo com surpresa a informação da citação de meu nome neste inquérito. Não fui notificado e não tenho qualquer tipo de impedimento em dizer que sou a parte mais interessada em ter os fatos apurados.

Como gestor, tenho a responsabilidade em desejar isso. Confio na Justiça e na apuração isenta dos fatos. Aguardo a apuração e coloco-me à disposição das autoridades naquilo que poder ajudar “.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse hoje em seu perfil no Twitter que determinou ao secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, um pente-fino para apurar contratos com organizações sociais. “Não vamos tolerar que o Estado seja vítima de inescrupulosos”, disse.

Números

52 prisões (40 em São Paulo 12 outros estados)
03 aeronaves
47 veículos apreendidos
154 telefones móveis apreendidos
158 cpus/notebooks/tablets apreendidos
176 pen drives/cds/hds
09 armas de fogo apreendidas
valor em dinheiro apreendido R$ 1.082.323,31
1.125 documentos diversos apreendidos

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