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INVESTIGAÇÃO

Advogado admite excesso em abordagem de cliente e supermercado vai entregar imagens de câmeras para a DDM

O advogado do supermercado em que dois funcionários foram acusados de agressão e injúria, além de racismo, André Martinelli, falou com a reportagem do Regional Press e disse que a empresa vê o caso com respeito e tranquilidade. Afirmou que houve excesso na abordagem da cliente, conforme o próprio mercado assumiu em nota oficial.

Já com relação ao crime de racismo, ele disse que disse que este é um fato que deverá ser melhor apurado pelas autoridades policiais e que as imagens do circuito de câmeras de segurança foram requisitadas pela Delegacia de Defesa da Mulher e serão disponibilizadas na tarde desta quinta-feira.

Martinelli disse que a empresa se solidariza com a situação e que o funcionário foi imediatamente afastado das funções. O funcionário trabalha há mais de 20 anos na empresa e a situação com relação a uma possível demissão está sendo estudada com relação ao caso, com muita calma e responsabilidade.

O CASO

A empresária e produtora cultural Flávia Nascimento dos Santos, 23 anos, está acusando um vigilante e um funcionário de um supermercado de Araçatuba pelo crime de injúria. Ela registrou um boletim de ocorrência e também publicou um vídeo que viralizou nas redes sociais após o ocorrido, na tarde desta terça-feira (3). A mulher diz que o gerente do estabelecimento a agarrou pelo pescoço e se a empresa disponibilizar imagens do circuito de câmeras será possível comprovar sua afirmação.

Em entrevista ao Regional Press, Flávia explicou o ocorrido e disse que não é a primeira vez que tem problemas no mercado. Ela disse que foi ao estabelecimento com trajes bem simples. Acredita que por estar vestida de forma muito mais simples do que os clientes que frequentam o local, e pelo fato de ser negra, passou a ser acompanhada, o tempo todo, por um vigilante.

“Eu já estava desconfiada que o segurança me seguia. Aí resolvi fazer um teste. Fui de uma ponta a outra do mercado. E novamente, onde eu ia ele estava atrás, relatou a advogada, que decidiu questionar a atitude do profissional, dizendo que estava incomodada. Ela foi informada que era um protocolo do mercado e tratava-se de procedimento interno.

Flávia ainda questionou se o protocolo valia apenas para ela, porque outros clientes transitavam normalmente pelo estabelecimento. Quando ela questionava o vigilante um homem, identificado como gerente, se aproximou e entrou na conversa. O segurança, segundo ela, disse, “”tudo é racismo, e vocês são uns frustrados”.

A empresária disse que o gerente, também truculento e irredutível, ordenou para a vítima se retirar do local. Ela se sentiu ofendida e soltou sua compra, momento em que o gerente teria investido esganando-a com as duas mãos, apertando o pescoço.  Ela inclusive pede para que o estabelecimento disponibilize imagens do circuito de segurança, para comprovar sua versão dos fatos. No entanto, a reportagem apurou que não teria sido o gerente, e sim um funcionário que se apresentou representando a gerencia.

Por fim, conforme o boletim de ocorrência, em tom de voz agressivo, este funcionário ordenou para ela se retirar da loja e ainda disse: “nunca mais volta aqui”, direcionando de forma truculenta e violenta a vítima até a saída do estabelecimento.

Flávia ainda relatou que o o funcionário afirmou para ela que, “este supermercado não é para você, se retire e não volte nunca mais!”. A vítima foi agredida e expulsa. Ela disse que quando era estudante, em uma das ocasiões, foi chamada pela administração do mesmo estabelecimento e acusada de ter feito compra passando uma nota falsa.

Após o corrido ela postou um vídeo nas redes sociais que gerou bastante polêmica, contra e também a favor de sua postura. Um movimento de protesto em gente ao estabelecimento também está sendo organizado nas redes sociais.

A direção do estabelecimento emitiu uma nota oficial a respeito do assunto. Confira:

“A Coopbanc sente profundamente pela situação ocorrida e como a nossa cliente se sentiu.

Entendemos que todas as pessoas devem ser tratadas com respeito, independentemente do gênero, raça, idade ou orientação sexual.

O funcionário envolvido no caso foi imediatamente afastado de suas funções.

A Coopbanc informa, ainda, que está discutindo e reavaliando todos os procedimentos internos de segurança para que situações como essa não ocorram novamente, reorientando sempre a prática pelo respeito”.

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