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História e estória

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Em português, costuma-se usar a palavra “história” tanto para a narrativa de fatos verdadeiros como para os ficcionais (narrativas inventadas).

Isso não ocorre no inglês, que divide história para fatos reais; estória para fatos ficcionais. O escritor Guimarães Rosa manteve a tradição inglesa ao escrever, quando intitulou o seu  livro de “Primeiras estórias”.

O atual governo quer transformar o 31 de março, quando houve um golpe militar em 1964, ou seja, há 55 anos, em “estória”, coisa inventada.

Esse pessoal do Bolsonaro ignora livros, jornais da época, muita gente morta e perseguida, só porque não concordava com o governo da época. Não se pode transformar a História do Brasil escrita com sangue num conto da carochinha.

 

*Hélio Consolaro é professor de Português

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BENDITA LÍNGUA

O Google não é referência

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Ao revisar um texto a pedido de seu autor, quando apontei certos erros, como “estremado” (com s) no sentido de exagerado, assim: “Mãe com cuidados extremados”. Expliquei-lhe que extremado é uma palavra derivada de “extremo”, portanto, é escrita com “x”.

De pronto, o autor do texto respondeu:

– Consultei o Google!

A partir do erro dele, mostrei-lhe que o Google não pode ser referência para o nosso vernáculo, porque nele há registros de sites, blogs e mídias sociais de todos, de quem sabe e de quem possui uma fraca formação nos estudos de nosso idioma. E completei: nas dúvidas, procure um dicionário, que pode ser digital.

Além disso, existe também a palavra “estremado”, que significa demarcado. “Extremado” e “estremado” são palavras homófonas, com a mesma pronúncia, mas sentidos diferentes. Talvez o Google nem errou, o autor do texto é que não soube selecionar a melhor palavra.

A pessoas correm o mesmo risco ao confiar no corretor do editor de texto. O mais eficiente corretor está no editor de texto BrOffice (gratuito). O Word, por sua origem inglesa, não é confiável. Às vezes, indica o certo como errado.

*Hélio Consolaro é professor de Português

 

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BENDITA LÍNGUA

Resenha, resenhar

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O substantivo “resenha” e o verbo “resenhar” têm sentidos diferentes em vários segmentos profissionais.

Nos programas esportivos, usa-se a palavra no sentido de notícia (noticiar), relato (relatar), comentário (comentar).

A imagem na TV apresenta atletas numa roda de jogadores no meio do campo, com um deles falando aos demais, e o narrador, que quer demonstrar riqueza vocabular, diz que o jogador tal está resenhando o jogo para os colegas.

Como sou da área da literatura e gosto de resenhar livros lidos, a palavra (tanto verbo, como substantivo) tem outro significado, ou seja, análise crítica ou informativa de um livro. Existem normas técnicas de como montar uma resenha, tanto de livros como de filmes.

O dicionário de português Houaiss apresenta os seguintes sinônimos para resenha: descrição, enumeração, exposição, levantamento, narração, notícia, panorama, recensão, relação, relato, revista.

 

Hélio Consolaro é professor de português.

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