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BENDITA LÍNGUA

Erro de português ou da reforma da Previdência?

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O aviso digitado simula certamente um aviso anexado na portaria de algum condomínio. Os erros de digitação e de português foram cometidos para fazer uma crítica indireta à reforma da Previdência que está por vir.

Vamos consertar o erro de digitação: “Precisa-se de diarista que more no serviço”. Brota do novo texto uma incoerência externa: diarista não mora no emprego, só existe tal possibilidade às mensalistas.

Então o verbo seria mesmo “morrer”, porque com a reforma da Previdência projetada para prejudicar o assalariado, uma diarista ia mesmo morrer no serviço, sem experimentar sua aposentadoria.

Se a intenção fosse dizer: “Precisa-se de uma diarista que morre no serviço”, assim mesmo surgiria outro erro de português. O certo seria: “Precisa-se uma diarista que morra no serviço”. O verbo morrer iria para o modo subjuntivo, pois é da segunda conjugação.

SUBJUNTIVO (modo que manifesta uma vontade) do verbo morar: more; do verbo morrer: morra.

Formas corretas:

Precisa-se de uma empregada que more no serviço. Foi digitado um “r” a mais para veicular a crítica.

Precisa-se de uma empregada que morra no emprego. Seria a forma correta, uma crítica direta à reforma da previdência, sem dubiedade e ironia.

 

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Resenha, resenhar

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O substantivo “resenha” e o verbo “resenhar” têm sentidos diferentes em vários segmentos profissionais.

Nos programas esportivos, usa-se a palavra no sentido de notícia (noticiar), relato (relatar), comentário (comentar).

A imagem na TV apresenta atletas numa roda de jogadores no meio do campo, com um deles falando aos demais, e o narrador, que quer demonstrar riqueza vocabular, diz que o jogador tal está resenhando o jogo para os colegas.

Como sou da área da literatura e gosto de resenhar livros lidos, a palavra (tanto verbo, como substantivo) tem outro significado, ou seja, análise crítica ou informativa de um livro. Existem normas técnicas de como montar uma resenha, tanto de livros como de filmes.

O dicionário de português Houaiss apresenta os seguintes sinônimos para resenha: descrição, enumeração, exposição, levantamento, narração, notícia, panorama, recensão, relação, relato, revista.

 

Hélio Consolaro é professor de português.

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Não existe vítima fatal

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No jornalismo, ainda persistem no emprego da expressão “vítima fatal”. Fatal significa “que leva à morte”. Quem foi fatal, então, foi o acidente; a vítima não causou a morte, não matou ninguém.

A expressão já está popularizada com a ideia de que determinada pessoa morreu, a única vítima fatal é quando um cara está limpando a janela, perde o equilíbrio e cai do décimo andar.

CORRETO: No acidente, houve uma vítima “que perdeu a vida”, ou “morreu” ou ainda “vítima mortal”.

 

Hélio Consolaro é professor de Português.

 

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Tchutchuca e Tigrão

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Zeca Dirceu e o ministro Paulo Guedes discutiram durante debate sobre a reforma da Previdência

A expressão “Tchutchuca e Tigrão”  foi recentemente usada pelo deputado Zeca Dirceu (PT-PR) ao se referir ao ministro Paulo Guedes num debate sobre a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados: a analogia entre a força do “tigrão” e a submissão da “tchutchuca”, usada pelo deputado, provocou um chilique do ministro.

Ela foi criada em 2001 pelos funqueiros do Bonde do Tigrão. Trata-se de palavras da linguagem classificada de chula, usada por pobres, desclassificados. Quem abominou o uso de tais palavras num parlamento tem uma visão elitista da língua, classificando seus elementos de acordo com a classe social que os usa.

Um político, seja ele de qualquer partido, para explicar suas ideias num momento de discussão fervorosa pode usar a linguagem chula, a linguagem que seu povo vai entender. Não pode abusar, mas quando necessário…

 

 

 

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