O presidente da Câmara Municipal de Olímpia (SP), Flávio Augusto Olmos (PP), e três assessores ligados ao gabinete dele foram presos temporariamente na manhã desta quinta-feira (15), durante a Operação Caixa Frio, deflagrada pela Polícia Civil para investigar uma suposta prática de “rachadinha” no Legislativo municipal.
A investigação apura suspeitas de peculato e associação criminosa. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, há indícios de que servidores comissionados nomeados para o gabinete repassavam parte dos salários recebidos ao agente político.
Sorveteria é apontada como local de entrega de dinheiro
O nome da operação faz referência a uma sorveteria ligada a um dos investigados. De acordo com os levantamentos policiais, o estabelecimento teria sido utilizado como ponto físico para a entrega e o repasse de valores em dinheiro.
A suspeita começou a ser investigada após denúncias sobre repasses recorrentes de parte da remuneração de servidores comissionados. Conforme as informações divulgadas, a apuração incluiu análise de movimentações bancárias, relatórios de inteligência financeira e depoimentos.
Segundo a polícia, os elementos reunidos indicariam uma possível divisão de tarefas entre os envolvidos. Como a investigação permanece sob sigilo, outros detalhes sobre as provas e a participação atribuída a cada investigado não foram divulgados.
Operação cumpriu quatro mandados de prisão
Ao todo, a Justiça expediu quatro mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão. Além de Olmos, foram presos três assessores ligados ao gabinete: um homem e duas mulheres.
O assessor foi levado à cadeia de Colina (SP), enquanto as duas mulheres seriam encaminhadas à unidade prisional feminina de Bebedouro (SP).
As buscas ocorreram no gabinete parlamentar da Câmara Municipal, em residências e em estabelecimentos comerciais relacionados à investigação. Os policiais apreenderam documentos, celulares e equipamentos de informática, que poderão ser analisados durante o inquérito.
A operação foi coordenada pela Delegacia Seccional de Polícia de Barretos, com participação de equipes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE) e da Central de Polícia Judiciária, além do apoio da Força Tática da Polícia Militar.
As prisões temporárias foram determinadas pelo prazo inicial de cinco dias, com possibilidade de prorrogação conforme a legislação e as decisões judiciais aplicáveis.
O que é rachadinha?
A expressão “rachadinha” é usada para descrever situações em que um agente público exige, solicita ou combina que servidores devolvam parte dos salários recebidos em razão de seus cargos. A caracterização de crime depende das circunstâncias apuradas e das provas reunidas.
Neste caso, a Polícia Civil investiga possíveis crimes de peculato e associação criminosa. A prisão temporária é uma medida cautelar e não representa condenação.
Comissão de Ética havia analisado denúncia anteriormente
Meses antes da operação, a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Olímpia analisou uma denúncia administrativa sobre a suposta prática. Em agosto, a comissão concluiu pela improcedência da acusação no âmbito político-administrativo, por considerar insuficientes as provas para responsabilizar o vereador naquela esfera.
A conclusão administrativa, contudo, não impede o andamento de investigações criminais, que seguem procedimentos próprios e são conduzidas pelas autoridades competentes.
Olmos está no segundo mandato como vereador e foi eleito presidente da Câmara no ano passado. Até a última atualização das informações fornecidas, a defesa do parlamentar não havia se manifestado publicamente sobre a prisão. Os nomes dos outros três presos não foram divulgados.
A investigação continua sob sigilo, e os fatos ainda deverão ser esclarecidos no curso do procedimento policial.

