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Araçatuba prepara novas regras para hortas comunitárias na cidade

Projeto prevê seleção pública, prioridade para famílias vulneráveis e criação de novas áreas de cultivo em Araçatuba.

por Fabricio Oliveira
05/10/2026 às 12:56
em ARAÇATUBA
© Italo Ludke/Embrapa

© Italo Ludke/Embrapa

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Resumo da notícia

  • Prefeitura trabalha na criação de uma política municipal para organizar e ampliar a agricultura urbana.
  • Araçatuba possui atualmente sete hortas comunitárias, instaladas em cerca de 15 mil metros quadrados.
  • Projeto prevê critérios de seleção, prioridade social e possibilidade de criação de novas áreas de cultivo.

A Prefeitura de Araçatuba está elaborando uma política municipal para organizar as hortas comunitárias existentes e ampliar a agricultura urbana e periurbana no município. A proposta pretende estabelecer regras para ocupação das áreas, definir critérios técnicos para utilização dos espaços e permitir a implantação de novas unidades de cultivo em diferentes regiões da cidade.

O projeto foi apresentado nesta segunda-feira (5) pelo secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, César Salmeron Rezek, durante reunião com integrantes do gabinete e secretários municipais no auditório do Paço Municipal. A vice-prefeita Nice Zucon também participou do encontro.

Atualmente, Araçatuba conta com sete hortas comunitárias instaladas em áreas que, juntas, somam aproximadamente 15 mil metros quadrados. Desse total, cerca de 5 mil metros quadrados estão efetivamente ocupados com cultivo.

Uma das primeiras etapas da nova política será organizar e regularizar essas áreas, garantindo maior segurança jurídica e criando condições para ampliar o aproveitamento dos espaços disponíveis. Posteriormente, a Prefeitura pretende identificar outras áreas públicas com potencial para receber projetos de agricultura urbana.

A proposta estabelece quatro modalidades de cultivo: hortas comunitárias, institucionais, escolares e unidades desenvolvidas em parceria com organizações e instituições. Cada uma terá finalidade e regras próprias.

Critérios para utilização das áreas

De acordo com o secretário César Rezek, as áreas destinadas às hortas não terão proprietários individuais. O uso será autorizado de forma temporária e seguirá critérios técnicos e sociais estabelecidos pelo Município.

A previsão é que os interessados sejam selecionados por meio de processo público, com inscrição gratuita e direito a apenas uma parcela por núcleo familiar. A permissão deverá ter duração de dois anos, com possibilidade de renovação conforme o cumprimento das regras e a manutenção adequada do espaço.

Antes da implantação de novas hortas, as áreas deverão passar por avaliação técnica das condições do solo e da disponibilidade de água e energia elétrica. Também deverá ser realizado o procedimento legal necessário para a destinação das áreas públicas.

O projeto ainda deverá passar por audiências públicas antes de ser encaminhado à Câmara Municipal.

Segundo Rezek, o Município já concluiu etapas de identificação e avaliação técnica de áreas e agora concentra esforços na estruturação jurídica da política.

“A lei está praticamente pronta e consolidada. O texto foi encaminhado às secretarias para que possam apresentar sugestões. Já passou pelo Planejamento e está passando pelo Jurídico, que estão entre as pastas mais envolvidas”, afirmou.

Função social das hortas

Além da produção de alimentos, a proposta pretende utilizar as hortas como instrumentos de segurança alimentar, geração de renda, convivência comunitária, educação e melhoria da qualidade ambiental.

A política estabelece prioridade para idosos, mulheres chefes de família, famílias em situação de vulnerabilidade ou insegurança alimentar e pessoas com deficiência. Nas hortas comunitárias, 5% das parcelas deverão ser adaptadas para garantir acessibilidade.

Outra possibilidade prevista é a implantação de hortas próximas a unidades de saúde e equipamentos da assistência social, como os Centros de Referência de Assistência Social (Cras). Nesses locais, os espaços poderão ter finalidade terapêutica, ocupacional e de convivência.

“Podemos trabalhar também com plantas medicinais e chás, além da própria produção de alimentos. Isso ajuda no dia a dia e traz como resultado a melhoria da qualidade de vida, inclusive pela alimentação e pelo convívio social”, disse Rezek.

Produção poderá gerar renda

Nas hortas comunitárias, a produção poderá ser destinada ao consumo das próprias famílias, à doação e também à comercialização, desde que sejam respeitadas as normas sanitárias.

Já nas hortas escolares e institucionais, a venda da produção não será permitida.

A proposta também prevê incentivo à agroecologia, à produção orgânica, ao uso de bioinsumos, ao manejo sustentável da água e à proteção da biodiversidade. O uso de agrotóxicos deverá seguir regras específicas e será proibido nas hortas escolares e nos canteiros educativos.

Depois da consolidação do texto e das etapas de participação popular, o projeto deverá ser encaminhado à Câmara Municipal. A expectativa da Prefeitura é enviar a proposta para análise dos vereadores ainda em 2026.

Caso a política seja aprovada, o Município ainda deverá regulamentar as novas regras e realizar o recadastramento dos agricultores que atualmente utilizam as hortas, para que sejam adequados ao novo modelo.

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