O número de mortos no desabamento de um prédio em construção que atingiu uma casa na Penha, Zona Leste de São Paulo, subiu para cinco neste domingo (13). Duas novas vítimas, um homem e uma mulher, foram localizadas pelos bombeiros durante a manhã. Uma criança continua desaparecida e é procurada entre os escombros.
O prédio, de aproximadamente 12 andares, desabou por volta das 2h de sábado (12), na Rua Tequici. A estrutura atingiu diretamente uma residência vizinha. Ao todo, oito pessoas foram atingidas pelo colapso. Duas foram resgatadas com vida: uma criança e um homem adulto.
Entre as cinco vítimas fatais estão três mulheres e dois homens. Uma das mulheres estava grávida. A criança que permanece desaparecida é apontada pelas equipes como uma possível vítima ainda soterrada.
Buscas foram concentradas em nova área
Após a localização das duas vítimas neste domingo, os trabalhos de resgate passaram a se concentrar na região onde elas foram encontradas. O corpo da mulher já havia sido retirado, enquanto as equipes atuavam para remover o homem, localizado em um ponto de difícil acesso.
Segundo informações repassadas pelos bombeiros, há indícios de que os dois possam ser um casal, mas a identificação e o grau de parentesco ainda dependem de confirmação.
Familiares e um dos sobreviventes também informaram aos socorristas que a mulher encontrada provavelmente seria mãe da criança desaparecida. Com isso, os bombeiros passaram a considerar a possibilidade de que o menino esteja nas proximidades do ponto onde ela foi localizada.
As equipes continuam trabalhando com a possibilidade de encontrar a criança com vida.
Resgate exige retirada manual dos escombros
A operação é considerada complexa devido ao risco de novos deslocamentos da estrutura. No local há grande quantidade de concreto, tijolos, madeira, chapas metálicas e vergalhões misturados.
Por esse motivo, parte dos materiais precisa ser retirada manualmente. O uso de equipamentos pesados é limitado para evitar movimentações que possam atingir eventuais espaços de ar ou comprometer a estabilidade dos escombros.
Dois cães especializados em buscas também participam da operação.
Inicialmente, os bombeiros concentraram os trabalhos nos quartos da residência, considerando que o desabamento ocorreu durante a madrugada e os moradores poderiam estar dormindo.
Com o avanço da operação e a indicação dos cães, além das informações obtidas pelas equipes, os socorristas mudaram o foco para uma área utilizada como espaço de trabalho. Foi nesse ponto que as duas últimas vítimas foram encontradas.
Cerca de 100 pessoas participam da operação
A força-tarefa reúne aproximadamente 100 profissionais, entre bombeiros, policiais militares, guardas civis metropolitanos, agentes da Defesa Civil e servidores da Subprefeitura da Penha.
Os trabalhos permaneceram durante toda a madrugada, com revezamento das equipes para manter a operação de resgate.
O desabamento mobilizou inicialmente dezenas de bombeiros e viaturas, além de equipes médicas e de apoio. A atualização mais recente aponta 22 viaturas e cerca de 70 bombeiros diretamente empregados na operação.
Obra já havia sido alvo de fiscalização
Além do resgate, as circunstâncias que levaram ao colapso passaram a ser investigadas pelas autoridades.
Segundo informações da Prefeitura de São Paulo, o imóvel já havia sido alvo de fiscalizações, multas e medidas administrativas. O responsável pela construção havia solicitado um alvará em 2019, mas o pedido foi negado.
A administração municipal informou que, após as irregularidades identificadas, houve interdição da obra e posteriormente uma ação judicial para solicitar a demolição de uma construção irregular existente no terreno. Uma das multas aplicadas chegou a R$ 119 mil.
Em 2021, uma liminar determinou a paralisação das obras. Posteriormente, um novo projeto foi apresentado e, em agosto de 2023, a Prefeitura emitiu um alvará condicionado à demolição da estrutura anterior.
Uma vistoria realizada em 2024 registrou que a demolição havia sido executada e o processo judicial foi encerrado. Após o desabamento, porém, a Prefeitura abriu uma apuração na Controladoria-Geral do Município (CGM).
As informações preliminares indicam que a demolição exigida para a execução do novo projeto pode não ter sido realizada. A servidora responsável pelo laudo que registrou a demolição foi afastada temporariamente, e o caso também é investigado pela Polícia Civil.
Três imóveis foram interditados
A Defesa Civil realizou vistorias na região e interditou três residências próximas à construção. Os imóveis deverão passar por novas avaliações para verificar as condições estruturais após o desabamento.
As causas do colapso ainda não foram determinadas. Embora estivesse chovendo no momento do acidente, os órgãos responsáveis informaram que não é possível atribuir, neste momento, o desabamento exclusivamente às condições climáticas.
Construtora afirma que investiga as causas
A New Home Construtora, responsável pela obra, informou que abriu uma investigação interna para esclarecer as circunstâncias do desabamento.
A empresa declarou que ainda não existem elementos suficientes para apontar a causa do colapso e que também será analisada a movimentação de terra realizada em um terreno vizinho.
Segundo a construtora, a empresa está colaborando com as autoridades e prestando assistência às famílias afetadas. A eventual responsabilidade dos envolvidos deverá ser definida a partir das investigações e dos laudos técnicos.
Enquanto os trabalhos de resgate continuam, as equipes permanecem concentradas na localização da criança desaparecida e na retirada segura dos materiais que ainda estão sobre a área atingida.

