A Polícia Civil de Birigui apura as circunstâncias do atropelamento que resultou na morte de uma criança de apenas 1 ano e 8 meses no último sábado (19). As informações foram detalhadas à imprensa durante entrevista coletiva concedida pelo delegado Ícaro de Oliveira Borges, responsável pelas investigações.
Entre as frentes de apuração, a autoridade policial analisa a possível responsabilidade do pai da vítima por omissão no dever de cuidado, ao mesmo tempo em que aguarda o resultado de diligências para confirmar se o motorista havia consumido bebida alcoólica antes do acidente. O bebê foi atropelado após sair sozinho em via pública e entrar na frente do carro.
O condutor do veículo compareceu à delegacia no domingo, prestou depoimento e afirmou que não percebeu ter atingido o menino. Até o momento, ninguém foi indiciado.
Investigação sobre consumo de álcool e dinâmica
Segundo o delegado Ícaro de Oliveira Borges, as apurações preliminares indicam que o motorista encontrou um amigo — que também é próximo do pai da criança — por volta das 15h em um depósito de bebidas. O passageiro admitiu ter ingerido cerveja, enquanto o motorista declarou que não consumiu álcool ou drogas.
Para confrontar a versão, a Polícia Civil realizou diligências no estabelecimento comercial e aguarda a análise de imagens do sistema de monitoramento, notas fiscais e comprovantes de pagamento. O veículo envolvido foi apresentado e passará por perícia do Instituto de Criminalística.
Conforme aos depoimentos já colhidos pela polícia, o carro parou ao lado de outro veículo estacionado na via, ficando parcialmente na contramão. O pai do menino saiu da casa e conversou rapidamente com o passageiro. Nesse intervalo, a criança saiu da residência, passou no espaço entre os automóveis e postou-se à frente do carro do investigado.
O condutor acelerou e atingiu o menino. Tanto o motorista quanto o passageiro relataram ter sentido um desnível, mas alegaram ter pensado tratar-se de uma pedra ou irregularidade no asfalto. Por isso, mantiveram a velocidade habitual e foram embora.
Análise da conduta do pai da criança
Paralelamente às buscas por provas materiais relativas ao condutor, a Polícia Civil examinará a conduta do pai da vítima para verificar se houve omissão penalmente relevante na vigilância do filho. No momento do impacto, o pai estaria posicionado atrás de um dos veículos.
Conforme informado pelo delegado, os pais da criança ainda serão ouvidos formalmente, respeitando o período de luto. A polícia ressalta que a apuração não implica responsabilização automática, dependendo da análise minuciosa das circunstâncias do fato.
Apuração sobre o afastamento do local
Inicialmente cogitada, a hipótese de fuga deliberada do local do acidente perdeu força preliminarmente. Imagens colhidas indicam que o condutor não alterou o padrão de velocidade após o ocorrido, reforçando a tese de que ele não teria notado o atropelamento.
Em seu depoimento, o passageiro afirmou que, ao saber do fato, retornou às imediações, mas optou por se afastar devido à presença de populares e a ameaças verbais, motivo pelo qual o motorista teria sido informado e decidiu apresentar-se posteriormente à polícia por razões de segurança. O motorista informou ainda que ao saber dos fatos, acabou ingerindo medicamento controlado.
O caso segue registrado sob a hipótese preliminar de homicídio culposo na direção de veículo automotor (sem intenção de matar).

