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Novo golpe do Pix pode alterar QR Code de lojas e desviar dinheiro

por Alex Mesmer
11/09/2026 às 12:45
em POLÍCIA
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ANUNCIANTE

O Procon-SP orienta consumidores a redobrarem a atenção ao realizar compras pela internet após identificar uma modalidade de golpe que pode alterar o QR Code do Pix apresentado nas páginas de pagamento de lojas virtuais. A fraude também pode atingir o código utilizado na opção “Pix copia e cola”, fazendo com que o dinheiro seja direcionado a um destinatário diferente daquele relacionado à compra.

A principal recomendação do órgão é que o consumidor não confira apenas o valor antes de autorizar a transferência. É necessário verificar, dentro do aplicativo do banco, quem receberá o dinheiro, observando o nome e o CNPJ apresentados na tela de confirmação.

Se os dados não corresponderem à empresa onde a compra foi realizada ou à instituição de pagamento responsável pela transação, o pagamento não deve ser concluído.

Como funciona o golpe

Em uma compra convencional pela internet, o consumidor escolhe o produto, chega à etapa de pagamento e seleciona o Pix. A loja normalmente apresenta um QR Code ou disponibiliza um código para ser copiado e colado no aplicativo bancário.

Segundo o alerta do Procon-SP, criminosos podem adulterar esses dados para modificar o destinatário da transferência. Dessa maneira, a aparência da página de compra pode permanecer semelhante à original, enquanto o dinheiro é enviado para uma conta que não possui relação com a aquisição.

Por isso, a etapa de confirmação exibida pelo banco se torna uma barreira importante contra esse tipo de fraude.

O consumidor deve conferir se o nome do recebedor e o CNPJ são compatíveis com a empresa responsável pela venda. Quando houver uma instituição intermediadora de pagamento, é necessário verificar se os dados apresentados correspondem corretamente à empresa ou ao meio de pagamento informado durante a compra.

Caso apareça um nome desconhecido ou qualquer informação incompatível, a orientação é interromper a operação e procurar os canais oficiais da loja antes de efetuar o pagamento.

O que fazer se o dinheiro já foi enviado

Se o consumidor perceber depois da transferência que o Pix foi enviado para um destinatário diferente do esperado, a recomendação é entrar imediatamente em contato com o banco ou instituição de pagamento.

O cliente deve informar que foi vítima de golpe e solicitar a contestação da operação por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix.

O Banco Central estabelece que o pedido de devolução em casos de fraude, golpe ou crime pode ser registrado em até 80 dias após a realização da transação.

O procedimento começa com a reclamação do cliente junto à instituição financeira. O banco da vítima registra a notificação de infração e o banco do suposto fraudador pode bloquear os valores disponíveis para análise.

De acordo com o Banco Central, as instituições envolvidas analisam o caso em até sete dias. Se a fraude for confirmada, a devolução pode ocorrer em até 96 horas após o término da avaliação, desde que existam recursos disponíveis na conta do fraudador.

Se não houver dinheiro suficiente para devolver todo o valor, podem ocorrer devoluções parciais conforme novos recursos sejam identificados na conta, dentro das regras do mecanismo.

Prazo do MED passou de 30 para 80 dias

Uma das mudanças importantes na proteção contra fraudes envolvendo Pix foi justamente a ampliação do prazo para contestação.

O Banco Central informa atualmente que o pedido de devolução pelo MED deve ser realizado em até 80 dias da data da transação, prazo superior ao período anteriormente utilizado.

O mecanismo, porém, não representa garantia automática de restituição. A devolução depende da análise da ocorrência e da existência de recursos na conta que recebeu o dinheiro.

O próprio Banco Central esclarece que o MED é destinado a situações de fraude, golpe ou crime e não deve ser utilizado para resolver simples desacordos comerciais, como atraso na entrega ou recebimento de produto diferente daquele comprado quando não houver indícios de fraude.

Consumidor deve guardar provas

Além de procurar imediatamente o banco, o consumidor deve comunicar o ocorrido à loja onde realizou a compra e preservar todos os registros relacionados à operação.

Entre os documentos que podem ajudar na apuração estão comprovante do Pix, capturas de tela da página de pagamento, informações do pedido, mensagens trocadas com a empresa, dados do destinatário e protocolos de atendimento.

O Banco Central também recomenda o registro de Boletim de Ocorrência em casos de golpe.

Banco Central aperfeiçoa contestação de golpes

As ferramentas de proteção do Pix continuam sendo aprimoradas. Em setembro de 2026, o Banco Central anunciou mudanças na experiência do usuário para contestação de transações pelo MED, com uma jornada mais orientativa e possibilidade de fornecer informações e documentos sobre o golpe diretamente pelo aplicativo da instituição financeira.

As novas regras anunciadas entram em vigor em 1º de março de 2027. O BC reforçou que, até lá, continuam valendo as regras gerais do MED, incluindo o prazo máximo de 80 dias para solicitação da devolução.

Conferência deve acontecer antes da confirmação

A orientação do Procon-SP reforça que o consumidor deve utilizar a tela de confirmação do próprio aplicativo bancário como uma última etapa de segurança antes de concluir o Pix.

Mesmo que o valor apresentado seja exatamente o mesmo da compra, é necessário conferir quem receberá o dinheiro. Se o nome ou CNPJ não tiver relação com a loja ou com a instituição responsável pelo processamento do pagamento, a transferência não deve ser autorizada.

A recomendação vale tanto para pagamentos por QR Code quanto para aqueles realizados pelo código “Pix copia e cola”.

Em caso de suspeita ou confirmação de fraude, o consumidor deve procurar imediatamente sua instituição financeira pelos canais oficiais, comunicar a loja, preservar os comprovantes e registros da operação e, quando cabível, registrar um Boletim de Ocorrência.

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