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Aos 16 anos, ele procurou cientistas porque conseguia lembrar dias da própria infância; e os testes surpreenderam

por Fabricio Oliveira
30/09/2026 às 12:39
em COTIDIANO
lembrancas
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Um adolescente de 16 anos percebeu que havia algo incomum na maneira como se lembrava do próprio passado. Datas aparentemente comuns conseguiam trazer à mente acontecimentos detalhados de sua vida, muitas vezes sem esforço consciente.

Em vez de simplesmente considerar aquilo uma curiosidade, ele decidiu procurar um especialista e perguntou se sua memória poderia ter interesse científico. O contato acabou dando origem a uma série de avaliações e a um estudo publicado na revista científica Cortex.

Os pesquisadores concluíram que o adolescente, identificado no trabalho apenas pelas iniciais KCL, atende aos critérios de uma condição conhecida como Highly Superior Autobiographical Memory (HSAM), ou memória autobiográfica altamente superior.

Trata-se de uma capacidade extremamente rara de recordar experiências da própria vida com nível de precisão e detalhes muito acima do observado na população em geral.

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Ele próprio procurou os pesquisadores

A história começou em janeiro de 2025. Ao perceber a facilidade com que conseguia recuperar acontecimentos de sua infância, que segundo o adolescente e seus pais, datam de quando o jovem tinha aproximadamente três meses de idade, KCL entrou diretamente em contato com um pesquisador da área e pediu para ser avaliado.

Como ele era menor de idade, os pais participaram do primeiro contato e autorizaram os testes. As avaliações ocorreram remotamente em sete sessões, sob acompanhamento dos pesquisadores.

Para verificar a capacidade do jovem, a equipe utilizou diferentes testes envolvendo datas, eventos públicos, acontecimentos pessoais e pensamentos que surgiam espontaneamente.

Em um dos testes, os participantes receberam 15 grandes acontecimentos públicos e precisaram associá-los às datas e dias da semana correspondentes. KCL obteve 51% de acerto, enquanto a média do grupo usado para comparação ficou em aproximadamente 20,4%.

O contraste ficou ainda maior quando os pesquisadores escolheram dez datas aleatórias da vida dos participantes. Para cada uma, eles precisavam informar o dia da semana, algum acontecimento noticiado naquele período e uma lembrança pessoal relacionada à data.

O adolescente atingiu 83% de precisão. No grupo de comparação, a média foi de aproximadamente 28,8%. Os testes de triagem colocaram seu desempenho entre os 0,1% superiores nas medidas utilizadas para avaliar esse tipo específico de memória.

Isso não significa que o adolescente possua uma “memória perfeita” para qualquer assunto. A capacidade está particularmente ligada à própria história de vida.

Lembranças simplesmente aparecem

O aspecto mais interessante do estudo não foi apenas aquilo que o adolescente conseguia lembrar quando alguém lhe fazia uma pergunta. Os cientistas queriam descobrir o que acontecia quando ele não estava tentando se lembrar de nada.

Durante uma tarefa em computador, perguntas apareciam inesperadamente na tela para verificar o que estava passando pela mente do participante naquele instante.

Das 15 vezes em que KCL relatou pensamentos espontâneos não relacionados à tarefa, 13 eram lembranças autobiográficas, cerca de 87%. No grupo de comparação, a proporção média foi de aproximadamente 39%.

Curiosamente, a mente do adolescente não divagava mais do que a das outras pessoas. A diferença estava no conteúdo. Quando sua atenção se afastava da tarefa, o pensamento tinha uma tendência muito maior a retornar para acontecimentos de sua própria vida.

Cheiro, palavra ou sensação podem funcionar como gatilhos

Os pesquisadores levantam a hipótese de que pessoas com essa capacidade possam apresentar uma espécie de limiar mais baixo para o surgimento de lembranças autobiográficas.

Um cheiro, uma palavra, uma data, uma sensação corporal ou outro detalhe cotidiano poderia funcionar como gatilho para trazer uma experiência antiga à consciência com muito mais facilidade.

Isso ajudaria a explicar por que as lembranças aparecem mesmo quando a pessoa não está tentando deliberadamente recuperar determinada memória.

Ainda assim, o estudo envolve apenas um indivíduo, e os autores ressaltam que serão necessárias pesquisas com mais pessoas para saber se o mesmo padrão ocorre de maneira consistente em outros casos de HSAM.

Fonte: Tecno Insider

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