A Justiça de São Paulo decidiu manter a prisão preventiva da advogada e influenciadora Deolane Bezerra e de outros cinco réus da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão foi tomada após a revisão das prisões preventivas, prevista pela legislação, e foi disponibilizada no processo nesta quinta-feira (27). Deolane está presa desde 21 de maio, no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista.
A decisão foi assinada pelo juiz Matheus Aquino Pirola Kruger, da 3ª Vara de Presidente Venceslau. Segundo informações divulgadas sobre o processo, o magistrado concluiu que permanecem presentes os fundamentos que justificaram a prisão cautelar dos acusados. A revisão ocorreu depois de Deolane completar 90 dias de prisão preventiva.
Entre os motivos apontados estão a necessidade de preservar a ordem pública e econômica, garantir o andamento da instrução criminal e assegurar a aplicação da lei penal. A decisão também considera o risco de continuidade das supostas atividades de lavagem de dinheiro e os indícios, segundo a acusação, de uma atuação estruturada e permanente de organização criminosa.
Outros cinco réus continuam presos
Além de Deolane, a decisão mantém as prisões preventivas de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Everton de Sousa, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
Paloma e Leonardo, apontados pela acusação como sobrinhos de Marcola, continuam sendo procurados pelas autoridades. A manutenção das prisões também foi relacionada à necessidade de assegurar a aplicação da lei penal diante da situação dos dois denunciados que permanecem foragidos.
O processo apura suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), a estrutura investigada seria dividida em diferentes núcleos, incluindo os setores decisório, operacional e financeiro.
O que diz a acusação contra Deolane
Na manifestação pela manutenção da prisão, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sustenta que Deolane teria atuação no chamado núcleo financeiro da organização investigada.
Segundo a acusação, a influenciadora teria utilizado contas bancárias próprias e de empresas ligadas a ela para ocultar ou dissimular valores que, conforme a tese do Ministério Público, teriam origem ilícita. A Promotoria também afirma que os recursos teriam sido convertidos em bens de alto valor.
A investigação se baseia, entre outros elementos, em análises fiscais, bancárias e relatórios técnicos. O Ministério Público sustenta que o grupo teria utilizado empresas e pessoas interpostas para dificultar a identificação da origem dos recursos.
A acusação ainda aponta movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a origem declarada dos recursos e menciona estruturas empresariais que teriam sido utilizadas no esquema investigado. As alegações fazem parte do processo e ainda serão submetidas à instrução judicial.
Defesa contesta prisão
A defesa de Deolane Bezerra afirmou que recebeu a decisão com surpresa e considera a manutenção da prisão “desnecessária, ilegal e desproporcional”.
Os advogados sustentam que a influenciadora é inocente, não possui vínculo com organização criminosa e que os valores movimentados por ela são provenientes de atividades empresariais lícitas e de honorários advocatícios.
A defesa afirma ainda que pretende utilizar os meios jurídicos disponíveis para buscar a liberdade da cliente e apresentar, durante a instrução processual, os elementos que considera capazes de comprovar a origem legal dos recursos.
Prisão já havia sido mantida em outros recursos
A prisão preventiva de Deolane já havia sido questionada pela defesa em outras instâncias. Em julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou, por unanimidade, um pedido de habeas corpus apresentado pelos advogados da influenciadora.
Em decisões anteriores, a Justiça considerou que não havia elementos suficientes para reconhecer ilegalidade na prisão ou justificar sua substituição por prisão domiciliar. O UOL também informou que um novo recurso foi negado em decisão relacionada ao caso.
A inscrição de Deolane na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) permanece suspensa desde a decretação da prisão, conforme já apontado em decisões anteriores.
Operação Vérnix
A Operação Vérnix foi deflagrada em maio e investiga uma suposta estrutura financeira utilizada para lavagem de dinheiro atribuída ao PCC. Deolane foi presa no dia 21 de maio e permanece detida desde então.
Em agosto, novas medidas relacionadas à operação resultaram na apreensão de veículos de luxo vinculados à influenciadora, incluindo uma Lamborghini avaliada em mais de R$ 4 milhões, segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo.
Com a decisão desta quinta-feira, Deolane e os demais réus permanecem presos preventivamente enquanto o processo criminal avança.
A prisão preventiva não representa condenação. As acusações ainda serão analisadas durante o processo, com direito à defesa e ao contraditório.

