As gêmeas siamesas Heloísa e Helena, de 2 anos, morreram na noite de sábado (15), após serem submetidas à quinta e última etapa da cirurgia de separação no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP), no interior paulista. As meninas nasceram unidas pela cabeça e passaram por uma série de procedimentos planejados para possibilitar a separação dos cérebros e dos vasos sanguíneos compartilhados.
Segundo o Hospital das Clínicas, a última cirurgia durou aproximadamente 15 horas e envolveu mais de 50 profissionais de diferentes áreas. Apesar dos esforços da equipe médica, as duas crianças morreram após o procedimento.
Os corpos foram encaminhados para São José dos Campos, cidade de origem da família. O sepultamento ocorreu neste domingo (16). Segundo as informações divulgadas, a Prefeitura de São José dos Campos custeou as despesas do funeral.
Tratamento teve cinco etapas
Heloísa e Helena nasceram em 2024 unidas pelo crânio, condição conhecida como craniópagos. Trata-se de uma ocorrência extremamente rara, estimada em aproximadamente um caso para cada 2,5 milhões de nascimentos.
O tratamento desenvolvido no HC de Ribeirão Preto foi planejado em cinco etapas cirúrgicas, realizadas com intervalos de aproximadamente dois a três meses.
A estratégia consistia em abrir progressivamente áreas do crânio para permitir a separação dos vasos sanguíneos e das estruturas compartilhadas pelas meninas. Depois de cada etapa, a abertura era fechada e as equipes aguardavam o período necessário para a recuperação.
O processo avançou gradualmente até a etapa final, quando a equipe buscaria concluir a separação anatômica das duas crianças.
Em fevereiro deste ano, durante a terceira cirurgia, o hospital informou que cerca de 75% do processo de separação havia sido concluído. Na ocasião, foram separados vasos sanguíneos importantes compartilhados pelas irmãs, além de estruturas cerebrais.
Quarta cirurgia preparou a etapa final
A quarta intervenção ocorreu em março de 2026. Na ocasião, a equipe de Cirurgia Plástica implantou bolsas expansoras de pele sob o couro cabeludo das meninas.
O procedimento tinha como finalidade ampliar gradualmente a quantidade de pele disponível para a reconstrução das áreas que ficariam expostas após a separação definitiva.
Segundo informações divulgadas pelo HC e pela imprensa regional, essa cirurgia durou aproximadamente seis horas e fazia parte da preparação para a etapa final.
O planejamento envolveu equipes de Neurocirurgia Pediátrica e Cirurgia Plástica, além de profissionais de diversas outras áreas. Exames de imagem, modelos tridimensionais e recursos de realidade virtual foram utilizados durante a preparação do procedimento.
Procedimento de alta complexidade
A separação de gêmeos craniópagos está entre os procedimentos cirúrgicos de maior complexidade. As crianças compartilham estruturas do crânio e podem apresentar vasos sanguíneos e partes do cérebro conectados, exigindo planejamento individualizado e uma série de intervenções.
O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto é referência nesse tipo de tratamento e já participou anteriormente da separação de outros dois pares de gêmeas craniópagas.
O primeiro caso ocorreu em 2018, com as irmãs Maria Ysadora e Maria Ysabelle. Em 2023, a equipe realizou a separação definitiva das gêmeas Allana e Mariah, também unidas pela cabeça.
Tratamento foi realizado pelo SUS
Apesar da complexidade e do alto custo do tratamento, todo o acompanhamento médico e as cirurgias de Heloísa e Helena foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sem custos para a família.
O caso exigiu acompanhamento prolongado, planejamento cirúrgico e participação de profissionais de diferentes especialidades, desde a preparação para cada etapa até os cuidados pós-operatórios.
A última cirurgia representava a conclusão do planejamento desenvolvido pela equipe médica para separar as irmãs, após os procedimentos anteriores terem avançado gradualmente na divisão das estruturas compartilhadas.
Após a morte das meninas, os corpos foram encaminhados para São José dos Campos, onde familiares e amigos participaram das cerimônias de despedida neste domingo (16).

