A Secretaria Municipal de Saúde de Araçatuba retomará na próxima segunda-feira (10) o quarto ciclo da campanha Fora Leish, voltada à prevenção e ao controle da leishmaniose visceral. A iniciativa prevê a troca gratuita de coleiras repelentes e a coleta de sangue para exames em cães cadastrados nas etapas anteriores da campanha.
A retomada foi definida durante reunião realizada na última terça-feira (4), com representantes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ) e do Grupo Técnico Regional do Instituto Pasteur. A continuidade da ação foi possível após o município receber 3,5 mil coleiras impregnadas com deltametrina a 4%, enviadas pelo Ministério da Saúde.
Segundo a dirigente do CCZ, Rute Mara Floriano Paulino, a campanha estava temporariamente suspensa devido à interrupção do repasse das coleiras pelo Ministério da Saúde, o que inviabilizou a substituição dos equipamentos de proteção utilizados nos ciclos anteriores.
Nesta nova etapa, os agentes de combate às endemias atuarão exclusivamente nos bairros TV, Planalto, Umuarama 1 e 2, São Vicente e Centro. As equipes realizarão visitas domiciliares para substituir as coleiras dos cães já cadastrados e coletar amostras de sangue para diagnóstico da leishmaniose visceral canina.
A campanha é desenvolvida em parceria entre a Prefeitura de Araçatuba, o Ministério da Saúde, o Governo do Estado de São Paulo, o Instituto Pasteur e a Unesp. As coleiras utilizadas possuem ação repelente contra o mosquito-palha, inseto responsável pela transmissão da leishmaniose, reduzindo significativamente o risco de infecção nos animais.
Desde o início da estratégia, em maio de 2024, foram realizados 35.322 encoleiramentos nos dois primeiros ciclos da campanha. No terceiro ciclo, outras 11.121 coleiras foram substituídas, alcançando cerca de 90% de cobertura entre os cães cadastrados.
Casos apresentam redução
Dados do Centro de Controle de Zoonoses mostram que, entre janeiro e julho deste ano, 177 cães testaram positivo para leishmaniose visceral em Araçatuba. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 286 casos, representando uma redução de aproximadamente 38%.
De acordo com Rute Mara Floriano Paulino, a queda está diretamente relacionada ao uso das coleiras repelentes.
“As coleiras são a principal medida voltada à prevenção da doença em cães, pois repelem o mosquito vetor”, destacou a dirigente do CCZ.
Doença também afeta humanos
A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa grave causada por um parasita transmitido pela picada do mosquito-palha infectado. Em humanos, os principais sintomas incluem febre prolongada, perda de peso, cansaço intenso, aumento do baço e do fígado e anemia. Apesar de ser potencialmente fatal quando não tratada, a doença tem cura, e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em Araçatuba, entre janeiro e julho deste ano, foram confirmados dois casos da doença em pessoas, sendo que um paciente morreu em decorrência da infecção.
Nos cães, os sinais mais comuns são emagrecimento progressivo, perda de apetite, queda de pelos, principalmente ao redor dos olhos e do focinho, feridas na pele, crescimento excessivo das unhas, apatia e fraqueza. A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que tutores procurem atendimento veterinário caso identifiquem esses sintomas e permitam a atuação das equipes durante as visitas da campanha.

