Um homem apontado pela Polícia Civil como integrante da rede de apoio aos autores do atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos se entregou nesta sexta-feira (17), em São Paulo. Identificado como Luis Altino da Silva, conhecido como “Chuck”, de 42 anos, ele compareceu à sede da 3ª Delegacia da Divisão de Homicídios do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), onde teve a prisão temporária decretada pela Justiça.
Segundo a investigação, Chuck afirmou aos policiais que decidiu se apresentar espontaneamente porque estava com “medo de morrer”. A declaração foi feita durante seu comparecimento à unidade especializada responsável pelo caso.
De acordo com o DHPP, o investigado é suspeito de ter contratado Luiz Henrique de Oliveira Nascimento, de 34 anos, para esconder a motocicleta utilizada pelos dois criminosos que participaram diretamente do atentado contra o oficial da Polícia Militar.
As investigações indicam que Luiz Henrique receberia R$ 500 pelo serviço, mas teria recebido apenas R$ 100. Ele foi preso no último dia 7 de julho, na comunidade de Heliópolis, na zona sul da capital paulista.
Com a prisão de Chuck, sobe para quatro o número de pessoas presas por suspeita de envolvimento no atentado. A Polícia Civil continua apurando a participação de outros investigados e busca esclarecer toda a cadeia de apoio aos executores do crime.
Ataque foi registrado por câmeras
O atentado ocorreu na manhã de 27 de junho, em um semáforo da Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, aguardava parado em sua motocicleta quando foi surpreendido por outra moto ocupada por dois homens.
Nas imagens, o garupa aponta uma arma em direção à cabeça do policial e efetua um disparo à queima-roupa antes de fugir com o comparsa. O oficial foi atingido na nuca e socorrido para atendimento médico.
A Polícia Civil informou que o crime foi premeditado. Câmeras de monitoramento registraram os suspeitos acompanhando a movimentação do tenente antes do ataque, reforçando a hipótese de que a ação foi planejada. Até o momento, as autoridades não divulgaram a motivação do atentado e afirmam que nenhuma linha de investigação foi descartada.
Mortes durante as investigações
Durante a investigação, sete homens morreram em ações envolvendo equipes da Rota em diferentes regiões da Grande São Paulo e do litoral paulista. Conforme os boletins de ocorrência, os policiais relataram confrontos após denúncias de que os suspeitos poderiam ter ligação com o atentado.
Entretanto, até o momento, não há comprovação de que qualquer um dos mortos tenha participado diretamente do ataque ao tenente. A Polícia Civil segue investigando individualmente cada caso para verificar eventual vínculo com o crime.
Irmão de Eloá Pimentel
O tenente Ronickson Pimentel dos Santos é irmão de Eloá Pimentel, jovem que ganhou repercussão nacional em 2008 após ser mantida em cárcere privado por mais de 100 horas pelo ex-namorado, Lindemberg Alves Fernandes, em Santo André. O caso terminou com a morte de Eloá durante a ação policial que encerrou o sequestro e se tornou um dos episódios criminais mais marcantes da história recente do país.
O inquérito sobre o atentado contra o oficial permanece sob responsabilidade do DHPP, que prossegue com as investigações para identificar todos os envolvidos, esclarecer a motivação do crime e reunir elementos para a responsabilização dos suspeitos perante a Justiça.

