As forças de segurança de São Paulo prenderam ou apreenderam em flagrante 9.183 pessoas por crimes relacionados à violência doméstica entre os meses de janeiro e maio deste ano. O número representa um aumento de 25,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 7.317 prisões e apreensões, segundo levantamento divulgado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Somente no mês de maio, foram registradas 1.843 prisões em flagrante, contra 1.359 ocorrências no mesmo mês do ano passado, um crescimento de 35,6%.
De acordo com a SSP, o aumento das prisões ocorre em um cenário de fortalecimento das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, ampliação dos canais de denúncia e reforço das ações integradas das forças policiais.
Interior concentra maior número de prisões
Embora a capital e a Região Metropolitana tenham apresentado crescimento expressivo nas detenções, foi o interior paulista que concentrou o maior número de ocorrências.
Nas 606 cidades do interior do Estado, foram 6.402 prisões ou apreensões em flagrante entre janeiro e maio deste ano. No mesmo período de 2025, haviam sido registradas 5.184 detenções, o que representa um aumento de 23,5%.
Na capital paulista e na Grande São Paulo, o número de agressores presos passou de 2.130 para 2.759, registrando crescimento de 29,5%.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, fatores como a extensão territorial, aspectos culturais e a subnotificação dos casos ainda representam desafios para o enfrentamento da violência doméstica, especialmente em municípios do interior.
Feminicídios apresentam redução em maio
Enquanto aumentaram as prisões de suspeitos, o Estado registrou redução no número de feminicídios em maio.
Foram 18 casos contabilizados no mês, contra 26 ocorrências registradas em maio de 2025, uma redução de oito vítimas no comparativo anual.
Para a coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), a delegada Cristiane Braga, a denúncia precoce é um dos principais instrumentos para interromper o ciclo de violência antes que ele evolua para crimes mais graves.
Segundo ela, o feminicídio costuma ser o estágio final de uma sequência de agressões que, muitas vezes, poderia ser interrompida com o acesso rápido das vítimas aos serviços de proteção e às autoridades.
Estado amplia rede de proteção às mulheres
Nos últimos anos, o Governo de São Paulo ampliou a estrutura de atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica por meio da criação de novos programas e ferramentas de proteção.
Entre as iniciativas estão a Cabine Lilás, que direciona chamadas relacionadas à violência doméstica feitas ao telefone 190 para policiais femininas especializadas; o aplicativo SP Mulher Segura, que reúne serviços como registro de boletim de ocorrência, acionamento emergencial da Polícia Militar e acesso à rede de apoio; a Patrulha SP Mulher Segura, responsável pelo acompanhamento preventivo de vítimas; e o Espaço Lilás, implantado em unidades da Polícia Militar para oferecer acolhimento especializado.
Outra medida adotada foi a ampliação do monitoramento eletrônico de agressores. Em parceria com o Tribunal de Justiça, o Governo de São Paulo disponibilizou 1.250 equipamentos, entre tornozeleiras eletrônicas e dispositivos de monitoramento, para reforçar o cumprimento de medidas protetivas e ampliar a segurança das vítimas.
As ações fazem parte da política estadual de enfrentamento à violência contra a mulher, que reúne medidas de prevenção, acolhimento, monitoramento e repressão aos crimes de violência doméstica.

