Uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (1º), a Operação Coluna Sul, considerada pelo órgão a maior já realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). A ação tem como objetivo enfraquecer a estrutura do Primeiro Comando da Capital (PCC) e impedir que integrantes da organização criminosa continuem comandando crimes de dentro dos presídios.
Em São Paulo, 22 investigados que já cumprem pena são alvos de novos mandados judiciais. Eles estão distribuídos em sete unidades prisionais, localizadas tanto na capital quanto no interior do Estado. Entre elas estão a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital, além de estabelecimentos penais nas cidades de Lavínia, Potim e Irapuru.
Segundo o MP-SC, além da comunicação dos novos mandados de prisão temporária aos detentos, as celas dos investigados serão revistadas para a apreensão de materiais que possam contribuir com as investigações ou demonstrar a continuidade das atividades criminosas no interior das unidades prisionais.
Operação mobiliza seis estados
Ao todo, a Operação Coluna Sul cumpre 320 ordens judiciais, sendo 151 mandados de prisão temporária e 169 mandados de busca e apreensão, nos estados de Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
As investigações apontam que os suspeitos são ligados a crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídios e posse ilegal de armas de fogo. De acordo com o Ministério Público, a ofensiva é um desdobramento da Operação Maserati, iniciada anteriormente para apurar a atuação da facção.
Objetivo é impedir ordens criminosas de dentro dos presídios
De acordo com os promotores responsáveis pela investigação, a principal finalidade da operação é interromper a capacidade de articulação dos integrantes da facção, especialmente daqueles que continuam exercendo influência sobre o grupo mesmo estando presos.
A investigação indica que ordens relacionadas ao tráfico de drogas e a outros crimes continuavam sendo transmitidas a partir do sistema prisional, motivo pelo qual foram expedidos novos mandados contra os investigados.
Mobilização reúne centenas de agentes
Em Santa Catarina, a operação mobilizou 103 integrantes do Gaeco, cerca de 552 agentes das forças de segurança, 198 viaturas e dois helicópteros. As equipes foram distribuídas em cinco bases operacionais instaladas nas cidades de Florianópolis, Joinville, Lages, Chapecó e São Miguel do Oeste, responsáveis por coordenar o cumprimento das ordens judiciais.
Suspeito morre durante confronto no Paraná
Durante o cumprimento de um dos mandados no Paraná, equipes policiais foram recebidas a tiros por suspeitos investigados por participação na facção. Houve confronto armado e, segundo as autoridades, um dos suspeitos morreu no local.
Todo o material apreendido durante a operação será encaminhado à Polícia Científica para realização das perícias. As investigações seguem sob sigilo judicial.
Nome da operação faz referência à estrutura da facção
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, o nome “Coluna Sul” foi escolhido porque essa é a denominação utilizada pela própria organização criminosa para identificar a área formada pelos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, considerada estratégica para a expansão e manutenção das atividades da facção na região Sul e parte do Centro-Oeste do país.

