Um desentendimento motivado pela recusa de um motorista de aplicativo em transportar um passageiro que portava uma lata de cerveja aberta terminou em agressões físicas, ameaças e ferimentos na noite desta última sexta-feira (17), em Araçatuba. O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ), que ouviu as duas versões sobre o ocorrido.
A confusão teve início na Rua Ari Barroso, próximo à esquina com a Rua Anísio Luís Marques, no bairro Jardim Alto da Boa Vista. O veículo envolvido é um Fiat Argo branco. De acordo com a versão do passageiro, um homem de 45 anos, ele solicitou o veículo por aplicativo e aguardava o motorista na calçada com uma lata de cerveja na mão.
Ao chegar, o condutor, de 30 anos, informou que não poderia iniciar a corrida com um passageiro portando bebida alcoólica, conforme as regras da plataforma. O passageiro então deixou a lata com um amigo que o acompanhava e embarcou no veículo.
O passageiro relatou à polícia que, durante o trajeto, o motorista teria iniciado um questionamento sobre a atitude do amigo, insinuando que ele “queria aparecer” ao pegar a lata de cerveja. O passageiro afirmou que respondeu que o assunto já estava resolvido e pediu que o motorista seguisse viagem. Segundo ele, o condutor se irritou, parou o carro e disse que chamaria a polícia.
Ainda conforme o relato do passageiro, o motorista teria então tentado empurrá-lo para fora do veículo. Ele disse que reagiu erguendo os braços e, sem intenção, atingiu o rosto do condutor. O passageiro afirmou que saiu do carro por conta própria, mas foi surpreendido pelo motorista, que teria deixado a direção e ido em sua direção empunhando um objeto não identificado. O objeto teria atingido o peito esquerdo da vítima, causando um ferimento com sangramento.
Já a versão do motorista, de 30 anos, foi a de que quando chegou ao local, o passageiro estava com a lata de cerveja aberta e fazia uso da bebida. Ao ser informado de que não poderia entrar com a lata, o homem teria ficado “alterado e agressivo” e jogado a bebida no chão antes de entrar no banco traseiro do veículo. O motorista também disse que o amigo do passageiro teria “inflamado” a situação com comentários provocativos.
Segundo o condutor, após percorrer cerca de 300 metros, o passageiro começou a intimidá-lo com frases como: “minha família é grande; pode vir; qualquer coisa eu chamo a família para atirar em você”. O motorista afirmou que, com medo, decidiu cancelar a corrida e pediu que o passageiro descesse do carro. O homem de 45 anos, no entanto, teria se recusado e repetido as ameaças, dizendo que “daria cabo” do motorista se não fosse levado para casa.
Diante da negativa, o motorista disse que ligou duas vezes para o telefone de emergência 190 da Polícia Militar, às 23h03 e às 23h30, pedindo ajuda. Durante a primeira ligação, ainda segundo o condutor, o passageiro o teria agarrado pelo pescoço e desferido dois socos em seu rosto, fazendo com que a lente de seus óculos caísse. O motorista afirmou que conseguiu se desvencilhar e fugir com o veículo após o passageiro sair do carro.
O condutor nega ter utilizado qualquer objeto para agredir o passageiro e disse não saber como o homem de 45 anos se feriu no peito. Ele afirmou que não portava facas ou outros instrumentos perfurantes dentro do veículo. Como prova das agressões, o motorista apresentou uma foto de uma lesão em seu braço direito e também recebeu requisição para exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).
O boletim de ocorrência foi registrado como lesão corporal e ameaça. Ambos os envolvidos foram ouvidos e liberados no plantão da CPJ Araçatuba.

