O cantor pernambucano Afroito está no centro de uma polêmica após criar uma vaquinha virtual com a meta de arrecadar R$ 1 milhão para quitar uma dívida de cerca de R$ 50 mil em aluguéis atrasados, pagar taxas e multas e comprar a casa onde mora, no Recife. A campanha, divulgada nas redes sociais no último dia 23 de julho, provocou uma série de reações entre internautas, que questionaram principalmente o valor estipulado para o financiamento coletivo.
Até nove dias após o lançamento da campanha, a arrecadação somava R$ 8.395, o equivalente a menos de 1% da meta. Segundo o artista, aproximadamente R$ 800 mil seriam destinados à compra do imóvel, enquanto o restante serviria para cobrir a dívida acumulada, multas e outras despesas relacionadas ao processo.
Em entrevista ao g1, Afroito reconheceu que cometeu um erro ao assumir o aluguel de um imóvel sem ter estabilidade financeira suficiente para manter os pagamentos. “Cometi um erro gravíssimo. Mesmo sem previsão de shows, aluguei uma casa que estava fechada durante dez anos e não consegui pagar o aluguel dela nos últimos seis meses”, afirmou o cantor.
Nas redes sociais, a campanha dividiu opiniões. Enquanto alguns seguidores criticaram a iniciativa e consideraram exagerada a meta de R$ 1 milhão para aquisição de um imóvel, outros demonstraram apoio ao artista. “Mano… O erro é seu, pague suas contas! Junte dinheiro pra comprar uma casa que você possa comprar! Alugue uma casa que você possa pagar!!!!”, escreveu um internauta. “Completamente deslocado da realidade do próprio país. Abrir a câmera e pedir para pessoas contribuírem com a compra de um imóvel num valor onde nem 1/3 da sociedade pode comprar, é absurdo”, disse outro.
Em resposta às críticas, Afroito defendeu o financiamento coletivo, afirmando que essa modalidade de apoio é utilizada há anos por profissionais da área artística e que cabe ao público decidir se deseja ou não contribuir.
“Talvez o tom do vídeo tenha causado esse impacto. Mas eu não atribuo financiamento coletivo a uma coisa negativa, porque é uma ferramenta usada pela arte há muito tempo. Acho que todo mundo coloca apenas esse contexto de crowdfunding para necessidades extremas, de urgência. Onde a gente tem que sacar uma grana urgente para dar a alguém. Mas nesse contexto, é sobre você pensar e repensar se você quer realmente contribuir ou não”, afirmou.
O músico também ressaltou que a campanha oferece contrapartidas aos apoiadores, como exemplares em vinil de seu primeiro álbum, “Menga”, além de ingressos para a inauguração da casa, batizada de ParanãLab, caso consiga adquirir o imóvel. Segundo ele, a proposta busca estabelecer uma relação de troca com quem decidir colaborar financeiramente.
Afroito contou ainda que a residência foi escolhida por oferecer estrutura adequada para ensaios, gravações e encontros com outros músicos, algo que, segundo ele, não era possível nos imóveis menores onde morava anteriormente. O artista relatou que precisou realizar melhorias na casa, que permaneceu fechada por cerca de dez anos, incluindo serviços de dedetização e limpeza para eliminar problemas com cupins, mofo e outras deteriorações antes de ocupar o espaço.
De acordo com o cantor, a intenção inicial era devolver o imóvel após perceber que não conseguiria mais arcar com o aluguel mensal de R$ 5 mil. No entanto, ao comunicar a decisão, recebeu uma notificação extrajudicial cobrando os valores em atraso. Apesar da situação, ele afirma que ainda pretende comprar a residência caso consiga alcançar a meta da campanha dentro do prazo de 60 dias estabelecido pela plataforma.

