A Secretaria Municipal de Saúde de Araçatuba concluiu uma ampla ação de monitoramento e controle do triatomíneo, popularmente conhecido como bicho-barbeiro, principal vetor da doença de Chagas. Realizado ao longo do mês de junho, o trabalho envolveu a inspeção de 409 palmeiras em diferentes regiões da cidade e integra as estratégias permanentes de vigilância para prevenir a circulação do inseto.
Durante a operação, equipes da Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ) identificaram a presença do barbeiro em 12 palmeiras, onde foram coletados 36 exemplares. Todo o material foi encaminhado para análise laboratorial, que verificará a presença do protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas.

Município mantém vigilância há mais de 25 anos
Segundo o gerente de campo da Unidade de Vigilância em Zoonoses, Guilherme Santos, Araçatuba não registra, há mais de 25 anos, a identificação de barbeiros contaminados pelo parasita responsável pela doença.
De acordo com ele, esse resultado é consequência do trabalho contínuo de monitoramento realizado pelas equipes de agentes de combate às endemias.
“A presença do bicho-barbeiro no município está sob controle, graças a esse monitoramento contínuo, às inspeções periódicas e às medidas de vigilância que são realizadas pelas equipes de agentes de combate às endemias durante os trabalhos de rotina”, afirmou.
Manejo incluiu poda e aplicação localizada de inseticida
A estratégia adotada foi o chamado manejo integrado, que consiste na poda das palmeiras, inspeção do material vegetal retirado e aplicação de inseticida apenas nas árvores onde houve confirmação da presença do inseto.
As ações ocorreram em oito pontos do município, incluindo:
- Avenida João Arruda Brasil;
- área verde ao lado da Escola Estadual Nilce Maia Souto;
- Praça São João;
- Praça Olímpica;
- Avenida Odorindo Perenha;
- Avenida Ibirapuera;
- Avenida Dr. Alcides Fagundes Chagas;
- área pertencente ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
Além da inspeção das árvores, agentes de combate às endemias realizaram visitas e atividades educativas em um raio de 300 metros ao redor dos locais atendidos, orientando moradores sobre a identificação do barbeiro e os procedimentos corretos caso o inseto seja encontrado.
A ação contou com apoio da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), da Secretaria de Estado da Saúde, além das secretarias municipais de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Mobilidade Urbana, Obras e Serviços Públicos e outros setores da Secretaria Municipal de Saúde.
Entenda a doença de Chagas
A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e sua principal forma de transmissão ocorre pelo contato das fezes do barbeiro infectado com a pele lesionada após a picada ou com mucosas.
Na fase inicial, a infecção pode provocar sintomas como febre prolongada, dor de cabeça, fraqueza, inchaço no rosto e nas pernas. Entretanto, muitos pacientes permanecem sem sintomas por anos.
Quando não tratada, a doença pode evoluir para a fase crônica, comprometendo principalmente o coração e o sistema digestivo, com risco de insuficiência cardíaca, alterações do esôfago e do intestino.
O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e apresenta melhores resultados quando iniciado precocemente.
O que fazer ao encontrar um barbeiro
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que, ao localizar um inseto com características semelhantes às do bicho-barbeiro, o morador não o destrua.
A recomendação é proteger as mãos com uma luva ou um saco plástico, capturar o inseto — preferencialmente vivo — e colocá-lo em um recipiente plástico com tampa. Em seguida, o material deve ser levado à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, para que seja encaminhado à Vigilância em Zoonoses para identificação e análise laboratorial.
A orientação faz parte das medidas de vigilância que buscam manter Araçatuba sem registros de transmissão vetorial da doença de Chagas e fortalecer o monitoramento permanente da saúde pública no município.

