O principal suspeito de atirar contra o primeiro-tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, passou a ser procurado internacionalmente. Hércules da Costa Siqueira, conhecido pelos apelidos de “Golias”, “Chavinho” e “Peruca”, teve o nome incluído na Difusão Vermelha (Red Notice) da Interpol, mecanismo utilizado para auxiliar na localização e prisão provisória de foragidos em países integrantes da organização internacional.
A inclusão ocorreu após solicitação da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), fundamentada em informações de inteligência que apontam risco concreto de fuga para o exterior. Segundo as autoridades, há indícios de que o investigado poderia deixar o Brasil utilizando rotas irregulares de fronteira, o que motivou o pedido de cooperação internacional. A medida tem como base o mandado de prisão temporária expedido pela 2ª Vara Criminal e do Júri de São Caetano do Sul no último dia 3 de julho.
É importante destacar que a Difusão Vermelha da Interpol não equivale a um mandado de prisão internacional. Trata-se de um alerta encaminhado às forças policiais dos países-membros para localização e eventual prisão provisória do procurado, observadas as leis de cada país e os procedimentos de extradição. A maior parte desses alertas é de acesso restrito às autoridades policiais.
Investigação aponta tentativa de fuga
As investigações da Polícia Civil e da Polícia Militar indicam que Hércules da Costa Siqueira pode ter tentado deixar o Estado de São Paulo acompanhado da esposa e das duas filhas menores.
Imagens de câmeras de segurança registraram um homem apontado pelos investigadores como sendo o suspeito caminhando de boné e máscara ao lado da família na região de Taubaté. A polícia acredita que o grupo seguia em direção à Baixada Santista. Um dos últimos locais investigados foi uma pousada em Peruíbe, no litoral sul paulista, ligada a Elenilson Misael da Silva, conhecido como “Galego”, que morreu durante uma ação policial na semana passada. A hipótese investigada é que ambos integrassem o mesmo núcleo criminoso responsável pela logística, apoio e execução do atentado.
Recompensa de R$ 50 mil
O Governo do Estado de São Paulo mantém uma recompensa de R$ 50 mil para informações que levem à localização e prisão de Hércules da Costa Siqueira. As autoridades orientam que qualquer informação seja repassada pelos canais oficiais de denúncia e reforçam que a população não deve tentar abordar o suspeito.
Como ocorreu o atentado
O atentado aconteceu na manhã de 27 de junho, quando o tenente Ronickson Pimentel dos Santos aguardava a abertura de um semáforo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul. Imagens de câmeras de monitoramento mostram dois homens em uma motocicleta aproximando-se do policial. O garupa efetuou disparos à queima-roupa contra o oficial, atingindo-o na cabeça, antes de fugir.
O policial permanece internado em estado grave em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), embora apresente estabilidade clínica e tenha iniciado o processo gradual de redução da sedação, conforme informações divulgadas pelas autoridades. Ronickson é irmão de Eloá Pimentel, jovem assassinada em 2008 após um dos casos de cárcere privado de maior repercussão no país.
Crime foi planejado
As investigações conduzidas pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) apontam que o ataque foi premeditado. Segundo a apuração, a rotina do oficial teria sido monitorada por meses antes da emboscada, e a ação contou com apoio logístico de outros veículos utilizados para dar cobertura à fuga dos executores.
Até o momento, duas pessoas foram presas por suspeita de participação no atentado, enquanto Hércules da Costa Siqueira é investigado como o provável autor dos disparos e responde por tentativa de homicídio qualificado. A Polícia Civil prossegue com as investigações para identificar todos os envolvidos e esclarecer a motivação do crime.

