A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo investiga um novo caso suspeito de doença causada pelo vírus ebola. A notificação foi registrada nesta quarta-feira (10) e envolve uma brasileira de 31 anos que retornou recentemente da República Democrática do Congo, país africano que enfrenta um surto da doença.
De acordo com a pasta, a paciente esteve a trabalho na província de Kivu do Norte, localizada no leste do Congo, uma das regiões monitoradas pelas autoridades sanitárias internacionais. Ela desembarcou no Brasil no último dia 6 de junho e passou a apresentar sintomas como febre e diarreia três dias depois.
Inicialmente atendida em um hospital particular da capital paulista, a mulher foi transferida para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência nacional para o atendimento de casos suspeitos ou confirmados de doenças infecciosas de alta complexidade. Ela permanece internada em leito de isolamento, com quadro clínico considerado estável e sob rígidos protocolos de biossegurança.
Segundo a Secretaria da Saúde, a investigação foi aberta porque a paciente atende aos critérios epidemiológicos e clínicos estabelecidos para suspeita da doença. Além dos sintomas apresentados, o histórico recente de viagem para uma área com circulação do vírus motivou a adoção imediata dos protocolos de vigilância. Um teste rápido para malária foi realizado e apresentou resultado negativo.
As amostras coletadas estão sendo analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz, responsável pelos exames laboratoriais que poderão confirmar ou descartar a infecção por ebola.
Este é o segundo caso suspeito investigado pelo Estado de São Paulo em 2025. No início do mês, um homem de 37 anos que também havia retornado da República Democrática do Congo foi submetido à investigação. Após exames, a suspeita de ebola foi descartada, sendo identificado um quadro de meningite meningocócica causada pela bactéria Neisseria meningitidis.
Diante das recentes notificações, a Secretaria Estadual da Saúde informou ter reforçado as ações de vigilância epidemiológica. Mais de 1,1 mil profissionais da rede de saúde participaram recentemente de treinamentos promovidos pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), voltados à identificação precoce, prevenção e resposta a possíveis casos suspeitos.
As autoridades de saúde destacam que o ebola não é transmitido pelo ar. A transmissão ocorre por meio do contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas que já apresentam sintomas da doença. O risco de contágio aumenta principalmente durante as fases mais avançadas da enfermidade.
Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, dores musculares, dor de cabeça intensa, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais. Em casos graves, podem ocorrer complicações sistêmicas e hemorragias.
A Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) atualizou recentemente os protocolos destinados às unidades de saúde do estado, reforçando a necessidade de isolamento imediato e notificação compulsória em situações compatíveis com a doença.
Apesar da investigação em andamento, o Centro de Vigilância Epidemiológica mantém a avaliação de que o risco de introdução do vírus ebola no Brasil e na América do Sul permanece muito baixo. Até hoje, não há registros de transmissão autóctone da doença em países sul-americanos.
Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o atual surto de ebola registrado na República Democrática do Congo e em Uganda contabiliza 134 casos confirmados e 18 mortes confirmadas. Outros casos e óbitos suspeitos seguem sob investigação pelas autoridades sanitárias locais e internacionais.
O resultado dos exames realizados na paciente internada em São Paulo será determinante para confirmar ou descartar a suspeita da doença nos próximos dias.
