A prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, em Santa Catarina, trouxe à tona um episódio semelhante ocorrido no Ceará há 15 anos. Investigada por suspeita de estelionato e falsa identidade após se passar por uma adolescente e ser acolhida por uma família catarinense, Amanda já havia sido alvo de um inquérito policial em Fortaleza, em 2010.
Segundo informações de autoridades que atuaram no caso à época, Amanda procurou a Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza alegando ter 12 anos. Durante o atendimento, ela relatou supostos episódios de violência e abusos praticados pelos pais, além de afirmar que era submetida a rituais de “magia negra” que envolviam a inserção de agulhas em seu corpo.
As denúncias resultaram na abertura de uma investigação pela Polícia Civil. Exames realizados naquele período identificaram a presença de agulhas e uma chave no organismo da mulher. Apesar disso, diligências conduzidas pelos investigadores encontraram relatos divergentes dos apresentados por Amanda. Moradores da região onde a família vivia, em Fortaleza, negaram ter conhecimento das situações descritas por ela e disseram que os pais eram cristãos e pacatos.
Durante o inquérito, os pais também prestaram depoimento e contestaram as acusações. Eles apresentaram documentos indicando que Amanda já era adulta naquele período. Conforme relatos de integrantes da investigação, a mulher questionou a autenticidade da documentação apresentada pela família.
As apurações ainda reuniram informações sobre atendimentos realizados por Amanda em unidades especializadas em saúde mental no Ceará. Os registros passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores durante o andamento do caso.
Caso em Santa Catarina
O episódio voltou a ganhar repercussão após a prisão da mulher em Santa Catarina. De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Civil catarinense, Amanda teria se aproximado de uma família por intermédio de um líder religioso. Inicialmente, ela teria informado ser maior de idade e estar em busca de trabalho. Com o passar do tempo, porém, passou a afirmar que era adolescente e relatou dificuldades pessoais, o que levou ao acolhimento pela família.
Segundo os autos do caso, a mulher permaneceu cerca de 14 meses convivendo com os moradores antes de sua verdadeira identidade ser descoberta. A investigação apura possíveis crimes de estelionato e falsa identidade.
Em audiência de custódia realizada nesta semana, a Justiça decidiu converter a prisão em flagrante em prisão preventiva. A defesa informou que Amanda será submetida a exames de sanidade mental, que poderão auxiliar na avaliação de sua condição psicológica e no andamento do processo.

