A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (26), a Operação Hígia, em Birigui, no interior paulista, para investigar um suposto esquema envolvendo falsificação de prescrições médicas e irregularidades no controle de medicamentos sujeitos a fiscalização especial. A ação ocorreu em conjunto com as Vigilâncias Sanitárias Estadual e Municipal.
Segundo a Delegacia de Polícia de Birigui, vinculada ao DEINTER-10, foram cumpridos simultaneamente oito mandados de busca e apreensão em farmácias pertencentes a um mesmo grupo econômico da cidade. O objetivo da ofensiva foi reunir provas técnicas e documentais relacionadas às suspeitas investigadas em inquérito policial.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações apuram a possível existência de um sistema estruturado de falsificação de receitas médicas, além da inserção de informações supostamente falsas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), ferramenta utilizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para monitorar a movimentação de medicamentos controlados. Também são investigadas suspeitas de manutenção de estoques paralelos de medicamentos especiais, incluindo antimicrobianos e psicotrópicos.
Durante as diligências, policiais e fiscais sanitários apreenderam receitas médicas consideradas suspeitas de falsificação, além de formulários em branco contendo carimbos profissionais. Ainda conforme a investigação, equipes da Vigilância Sanitária identificaram irregularidades no armazenamento e circulação de medicamentos controlados, o que resultou na emissão de autos de infração e no lacre administrativo de estoques paralelos encontrados nos estabelecimentos vistoriados.
A operação mobilizou 32 policiais civis, entre oito delegados e 24 agentes operacionais, divididos em oito equipes. Também participaram da ação 10 fiscais sanitários, responsáveis pela fiscalização técnica dos estabelecimentos.
Por determinação judicial, celulares institucionais e aparelhos ligados a investigados, incluindo integrantes da gerência e direção do grupo econômico, foram apreendidos. Segundo a Polícia Civil, uma análise preliminar realizada ainda durante a operação teria identificado mensagens consideradas relevantes para o avanço das investigações.
Até a publicação desta reportagem, não havia informações sobre prisões relacionadas ao caso. O material recolhido será encaminhado para perícia oficial e anexado ao inquérito policial, que segue em andamento sob responsabilidade da Delegacia de Birigui.
Em nota, o delegado responsável pela investigação, Eduardo Lima de Paula, informou que os trabalhos de fiscalização e formalização das apreensões estavam sendo finalizados ao longo do dia. A Polícia Civil não divulgou os nomes dos estabelecimentos envolvidos, e o espaço permanece aberto para manifestação dos citados no caso.

