Uma operação realizada nesta sexta-feira (8) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) resultou na apreensão de aproximadamente 390 animais, 14 veículos — incluindo modelos de luxo — e no bloqueio de R$ 10 milhões em contas bancárias de investigados por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas associado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Batizada de Operação Caronte, a ação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em oito cidades paulistas: Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga. O trabalho foi conduzido pelo Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro da 1ª DIG/DEIC de Campinas, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas.
Entre os bens apreendidos, um dos destaques é o touro de competição “Império”, avaliado em pelo menos R$ 1 milhão, segundo a polícia. O animal figurou entre os melhores do país ao alcançar a terceira posição no ranking da Confederação Nacional de Rodeio (CNAR) em julho de 2025.
Além do touro, foram apreendidos bovinos de corte, cavalos e outros animais de competição, totalizando cerca de 390 cabeças. Conforme determinação judicial, os animais permanecerão sob responsabilidade de um fiel depositário até eventual alienação judicial, procedimento que poderá converter os bens em recursos destinados aos cofres públicos.
A investigação também resultou na apreensão de veículos de carga e automóveis de alto padrão, como uma Porsche Macan e uma Land Rover Evoque Dynamic, além de caminhões, carretas, reboques, motocicleta, celulares, máquinas de cartão, anotações e R$ 15.850 em dinheiro.
De acordo com a Polícia Civil, o principal alvo da operação é o influenciador digital Eduardo Magrini, conhecido nas redes sociais como “Diabo Loiro”. Ele foi preso no ano passado durante outra investigação conduzida pelo Gaeco de Campinas, que apurava um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado a traficantes apontados entre os mais procurados do país.
Eduardo Magrini também é investigado por suposta participação em um plano atribuído ao PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho. O influenciador é citado ainda como ex-padrasto do cantor MC Ryan SP, que foi alvo da Operação Narco Fluxo.
Outro investigado é Mateus Magrini, filho de Eduardo, que também teve endereço alvo das buscas. Conforme a investigação, ele seria suspeito de movimentar valores de origem ilícita por meio de uma empresa do setor musical.
As apurações indicam ainda que empresas ligadas aos ramos de transporte e rodeio teriam sido utilizadas para ocultar e movimentar recursos ilegais por meio de sócios considerados “laranjas”. Segundo os investigadores, o esquema estaria em funcionamento desde 2016.
A suspeita ganhou força após análises fiscais e bancárias conduzidas pelo Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (Lab-LD) e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram movimentações incompatíveis com a renda oficialmente declarada pelos investigados.
O nome da operação faz referência a Caronte, personagem da mitologia grega responsável por conduzir as almas ao submundo de Hades. O caso segue sob investigação das autoridades paulistas.
