A Polícia Civil concluiu uma investigação de alta complexidade que resultou na denúncia de 26 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa voltada à prática de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro em Penápolis (SP) e região. O caso teve origem em uma denúncia recebida em dezembro de 2024 e culminou na chamada “Operação Ostentatio”, deflagrada em março de 2025.
Segundo informações divulgadas pela Delegacia Seccional de Araçatuba, por meio do 1º Distrito Policial de Penápolis, o Ministério Público ofereceu denúncia contra os investigados com base nos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A denúncia foi aceita integralmente pela 3ª Vara Judicial de Penápolis no dia 30 de abril de 2026.
De acordo com a investigação, o grupo atuaria de forma estruturada, com divisão de tarefas entre os integrantes, utilizando contas bancárias de terceiros — conhecidos como “laranjas” ou “penas” —, empresas de fachada, boletos fraudulentos e plataformas digitais para aplicar golpes eletrônicos e ocultar os valores obtidos ilegalmente.
A operação foi realizada em 17 de março de 2025, quando policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados aos suspeitos. Durante a ação, foram apreendidos aparelhos celulares, computadores, documentos e outros materiais considerados relevantes para a investigação.
As apurações apontaram intensa movimentação financeira pulverizada, abertura de contas digitais em nome de terceiros e criação de pessoas jurídicas supostamente fictícias, mecanismos que, segundo a polícia, teriam sido utilizados para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos financeiros.
Ainda conforme a Polícia Civil, a análise pericial dos equipamentos apreendidos identificou centenas de conversas, comprovantes bancários, boletos supostamente fraudulentos, dados pessoais de terceiros e grupos digitais utilizados para coordenar as atividades do grupo.
Após representação do delegado responsável pelo caso, Thales Eduardo Anhesini, a Justiça decretou, em 20 de março de 2026, a prisão preventiva de três apontados como protagonistas do esquema investigado. No mesmo dia, um suspeito de 29 anos, identificado pelas iniciais S.S.G., foi preso e indiciado. Segundo a Polícia Civil, dois investigados permanecem foragidos.
O inquérito policial foi concluído em 27 de abril de 2026, com o indiciamento de 23 investigados. Com base no conjunto probatório reunido, o Ministério Público denunciou 26 pessoas e solicitou a manutenção das prisões preventivas já decretadas, além do pedido de perdimento dos bens apreendidos durante a operação.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outras pessoas e empresas que possam ter sido utilizadas pelo grupo, bem como localizar novas possíveis vítimas relacionadas aos golpes investigados.
