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Força-tarefa resgata 35 trabalhadores em fazenda na região de Araçatuba

por Alex Mesmer
22/05/2026 às 18:43
em CIDADES
MPF trabalho
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Uma força-tarefa formada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União (DPU) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 35 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em uma fazenda de cultivo de cana-de-açúcar no município de Gabriel Monteiro, a cerca de 40 quilômetros de Araçatuba.

A ação ocorreu na quarta-feira (20), mas foi divulgada oficialmente nesta sexta-feira (22). Durante a fiscalização, os órgãos identificaram uma série de irregularidades envolvendo condições de trabalho, saúde, segurança e moradia dos trabalhadores, a maioria oriunda da região Nordeste do país.

Segundo os órgãos fiscalizadores, os trabalhadores realizavam as refeições diretamente na área de cultivo, sentados sobre a palha da cana cortada, sem mesas, cadeiras ou qualquer estrutura de proteção contra sol e chuva. Além disso, não havia banheiros disponíveis nem fornecimento adequado de água potável durante a jornada de trabalho.

A fiscalização apontou ainda que os equipamentos de proteção individual (EPIs) e até mesmo as ferramentas utilizadas nas atividades eram custeados pelos próprios trabalhadores, situação considerada irregular pelas normas trabalhistas.

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Alojamentos em situação precária

As equipes também vistoriaram os alojamentos localizados em Santo Antônio do Aracanguá, município onde os trabalhadores estavam hospedados, a aproximadamente uma hora e meia da frente de trabalho.

Conforme o relatório da operação, os 35 trabalhadores estavam distribuídos em apenas duas residências, dormindo em colchões colocados diretamente sobre o piso de cimento e, em alguns ambientes, sobre placas de papelão improvisadas.

As cozinhas apresentavam condições precárias de higiene, enquanto os banheiros eram considerados insuficientes para a quantidade de pessoas alojadas. Os vasos sanitários estavam sujos e o sistema de descarga funcionava por meio de uma mangueira improvisada. Os fiscais também relataram a presença de escorpiões e baratas nos imóveis.

Contratação sob investigação

Outro ponto identificado pela força-tarefa foi a suposta intermediação irregular de mão de obra. De acordo com os órgãos envolvidos, a contratação dos trabalhadores ocorria por meio de uma empresa sem capital social compatível com a dimensão do serviço prestado, levantando dúvidas sobre sua capacidade econômica e operacional para execução do contrato.

TAC prevê pagamento de mais de R$ 666 mil

Após a fiscalização, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) entre o tomador dos serviços e o Ministério Público do Trabalho. O acordo prevê o pagamento total de R$ 666.012,45.

Desse montante, R$ 516.012,45 serão destinados ao pagamento de verbas rescisórias e indenizações por danos morais individuais aos 35 trabalhadores resgatados. Outros R$ 150 mil correspondem a indenização por dano moral coletivo, cuja destinação social ainda será definida pelo MPT.

O TAC também estabelece multa em caso de descumprimento das obrigações assumidas, além da exigência de medidas para regularização integral do ambiente de trabalho e prevenção de novas irregularidades.

Após o resgate, os trabalhadores foram encaminhados para hospedagem provisória no município de Clementina e, posteriormente, retornaram às cidades de origem.

O Ministério Público do Trabalho informou que instaurou inquérito civil para acompanhar o cumprimento integral do acordo firmado e aprofundar as investigações sobre a cadeia produtiva relacionada ao caso. (Fonte: Márcio Zeni/ Nossa Guia)

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