A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, presa desde a última quinta-feira (21), divulgou uma carta escrita da penitenciária de Tupi Paulista, onde está detida, na qual afirma ser alvo de “perseguição” e nega qualquer envolvimento com o crime organizado.
A influenciadora é investigada em uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela foi presa em sua residência, em Barueri, na Grande São Paulo, e atualmente está detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado.
No conteúdo da carta, ditada à irmã, a advogada Dayanne Bezerra, Deolane reiterou sua inocência e alegou que a prisão estaria relacionada a honorários advocatícios recebidos durante o exercício da profissão.
“Mais uma vez, a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião”, afirmou a influenciadora na mensagem divulgada pela família.
Ela também declarou nunca ter feito parte de organização criminosa e sustentou que o valor investigado, de R$ 24,5 mil, teria sido recebido legalmente como pagamento por serviços advocatícios prestados à época.
Segundo as investigações do Ministério Público, o caso teve início em 2019, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos escondidos em celas da Penitenciária II de Presidente Venceslau. A partir das apurações, investigadores chegaram a uma transportadora de cargas localizada na cidade, apontada como possível empresa de fachada utilizada para movimentação financeira atribuída à facção criminosa.
De acordo com o MP, a empresa teria realizado transferências para contas de terceiros com o objetivo de ocultar a origem dos recursos. Entre as contas investigadas estariam duas ligadas ao nome de Deolane Bezerra.
A influenciadora, no entanto, nega qualquer irregularidade. Em sua manifestação, afirmou nunca ter atuado dentro da Penitenciária de Presidente Venceslau e declarou que trabalhou como advogada em diversos processos ao longo da carreira.
Justiça mantém prisão
No domingo (24), o Tribunal de Justiça de São Paulo negou um pedido de habeas corpus em caráter liminar apresentado pela defesa da influenciadora. Os advogados aguardam o julgamento do mérito e avaliam recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Um dia antes, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), também rejeitou um pedido de prisão domiciliar, sob o entendimento de que não havia indícios de “manifesta ilegalidade” na prisão.
A defesa sustenta que Deolane foi detida por ter exercido atividade profissional como advogada e recebido honorários legais por esse trabalho. Já o Ministério Público mantém a investigação sobre a origem dos recursos financeiros e eventuais vínculos com o esquema investigado.
Até o momento, o processo segue em andamento e as acusações ainda serão analisadas pela Justiça.

