A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra chegou às 12h01 desta sexta-feira (22) à Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, após ser presa preventivamente durante a Operação Vérnix, investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Deolane havia passado a noite na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital paulista, após ser detida na quinta-feira (21), em sua residência em Barueri, na Grande São Paulo. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), ela deixou a unidade por volta das 5h, sob escolta, rumo ao interior do estado. A transferência ocorreu porque o processo tramita na região de Presidente Venceslau, local de onde foi expedido o mandado de prisão preventiva.
De acordo com a investigação, a influenciadora é suspeita de integrar um esquema financeiro usado para ocultar recursos atribuídos à facção criminosa. O inquérito aponta que valores provenientes de atividades ilícitas eram depositados em contas ligadas a Deolane, misturados a recursos de origem lícita e posteriormente redistribuídos, dificultando o rastreamento das movimentações financeiras.
As autoridades investigam ainda o papel de uma transportadora sediada em Presidente Venceslau, apontada como peça-chave no suposto esquema. Conforme a Polícia Civil, a empresa teria sido usada para movimentar recursos investigados, e transferências bancárias relacionadas ao caso foram identificadas durante a apuração. O montante total movimentado, no entanto, ainda não foi oficialmente consolidado pelas autoridades.
A Operação Vérnix também teve como alvos familiares de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como liderança do PCC e atualmente preso no sistema penitenciário federal. Ao todo, a Justiça decretou seis mandados de prisão preventiva, além do bloqueio de centenas de milhões de reais em bens e valores, e do sequestro de veículos de luxo e imóveis ligados aos investigados.
Segundo a Polícia Civil, a investigação teve origem em bilhetes apreendidos em 2019 em uma penitenciária de Presidente Venceslau. O material teria revelado informações sobre a estrutura financeira da facção e levado os investigadores até empresas suspeitas de operar a lavagem de dinheiro. Posteriormente, a apuração identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo pessoas e empresas ligadas ao caso.
A defesa de Deolane Bezerra afirmou, em nota, que a influenciadora é “absolutamente inocente” e classificou a prisão preventiva como uma medida “desproporcional”. Os advogados sustentam que as atividades da cliente são lícitas e dizem confiar que os fatos serão esclarecidos no decorrer do processo. Até o momento, não há condenação judicial contra a influenciadora no caso investigado.

