Um caso de violência extrema chocou os moradores de Atibaia, no interior de São Paulo, neste fim de semana. Um homem de 29 anos, identificado como Wendel Alexandre de Oliveira Poloni, foi preso após morder e arrancar parte da orelha da própria esposa, uma mulher de 25 anos, durante uma festa na cidade .
O ataque aconteceu na noite de sábado (18) e foi flagrado por câmeras de segurança de um comércio próximo ao local da festa. As imagens mostram a vítima, que trabalha como representante comercial, conversando tranquilamente com outras mulheres no balcão. Em seguida, Poloni aparece caminhando por trás, puxa a companheira pelos cabelos e, num movimento rápido, morde e arranca um pedaço da orelha dela .
“Você está demorando para comprar bebida”
De acordo com o relato da vítima às autoridades, a agressão teria sido motivada por um motivo banal: o homem a questionou sobre a demora para comprar bebida durante a comemoração . O casal estava junto há seis anos .
A mulher contou ainda que não foi a primeira vez que sofreu violência do companheiro. Ela afirmou aos agentes que mantinha fotos e vídeos de agressões anteriores registrados no celular, provas que deverão ser anexadas ao inquérito policial .
Prisão e depoimento
Segundo a Guarda Civil Municipal (GCM) de Atibaia, a vítima foi socorrida imediatamente por pessoas que estavam no local e levada a um hospital da região para atendimento médico. O estado de saúde dela não foi divulgado oficialmente, mas a perda parcial da orelha pode exigir procedimentos cirúrgicos reparadores.
O suspeito foi localizado por agentes próximos ao bar onde ocorreu a festa. Ele apresentava lesões pelo corpo e alegou que os ferimentos teriam sido provocados por seguranças do estabelecimento que intervieram para conter o ataque .
Em depoimento, Poloni negou ter decepado a orelha da esposa. Ele afirmou que o casal teve apenas uma discussão e tentou minimizar a gravidade do ocorrido .
Enquadramento legal
Wendel Alexandre de Oliveira Poloni foi preso em flagrante e vai responder pelos crimes de violência doméstica e lesão corporal grave — este último agravado pela deformidade permanente causada na vítima .
A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) prevê penas mais severas para casos de violência contra a mulher no âmbito doméstico e familiar. A lesão corporal grave, que inclui a perda ou debilitação de membro, sentido ou função, pode resultar em reclusão de 1 a 5 anos, aumentada em 1/3 se cometida contra pessoa com deficiência ou vulnerabilidade — o que pode ser aplicado considerando a natureza do ferimento.
Caso serve de alerta
O episódio chama a atenção para a escalada da violência doméstica e para os sinais que antecedem agressões mais graves. Especialistas alertam que comportamentos como ciúmes excessivos, controle da rotina da parceira e agressões verbais podem evoluir para violência física extrema.
A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Atibaia deve investigar o caso, incluindo as agressões anteriores relatadas pela vítima.
Canais de denúncia:
Se você ou alguém que conhece sofre violência doméstica, denuncie. Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar). A ligação é gratuita e funciona 24 horas.
