Em nova baixa para os trabalhos da CPI do Crime Organizado, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto faltou à sessão desta quarta-feira, 8 de abril, no Senado. A ausência marca a terceira tentativa sem sucesso de ouvir o economista, chamado pela comissão por causa de seu conhecimento técnico sobre procedimentos, instrumentos e práticas institucionais do BC.
Segundo o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), Campos Neto havia sido convocado inicialmente para a reunião de 3 de março. Na ocasião, uma decisão sigilosa do ministro André Mendonça, no âmbito do Inquérito 5.026, transformou a convocação em convite, o que tornou facultativa sua presença. Em 31 de março, a CPI voltou a tentar ouvi-lo, mas o ex-presidente do BC novamente não compareceu.
Desta vez, a comissão aprovou novo requerimento de convocação, classificando Campos Neto como “testemunha qualificada”, sob o argumento de que seu conhecimento poderia contribuir de forma relevante para a investigação. Ainda assim, em petição enviada na manhã desta quarta-feira, a defesa informou que ele não compareceria por considerar que a nova convocação violaria a decisão já tomada pelo STF.
A sessão prosseguiu com o depoimento do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A pauta oficial previa as oitivas de Galípolo e Campos Neto sobre mecanismos de fiscalização e controle no sistema financeiro. Durante a reunião, Galípolo afirmou que operações do Banco Master chamaram a atenção da supervisão do BC por envolverem a criação e a venda de ativos para gerar liquidez. Segundo ele, a análise identificou dificuldades para comprovar a existência de parte desses créditos, o que levou à instauração de processo sancionador.
O episódio ocorre num momento de pressão sobre o calendário da CPI. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu não prorrogar os trabalhos da comissão, que tem prazo final em 14 de abril. De acordo com o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), sem ampliação do prazo o colegiado deve votar o relatório final na próxima terça-feira, o que reduz o espaço para novas medidas após a ausência de Campos Neto.
