A Polícia Federal proibiu as gravações da nova temporada da série “Aeroporto: Área Restrita” em aeroportos brasileiros, alegando riscos à segurança das operações e dos passageiros abordados. A decisão interrompe a produção da oitava temporada do programa, exibido pela plataforma de streaming HBO Max.
Em nota, a PF afirmou que as áreas restritas dos aeroportos são classificadas como Áreas Restritas de Segurança (ARS), consideradas zonas prioritárias de risco e submetidas a rígidos controles de acesso. Segundo a corporação, atividades de entretenimento ou produção audiovisual não se enquadram nos critérios operacionais exigidos para circulação nesses espaços.
“A presença permanente de equipes de filmagem em áreas operacionais restritas é incompatível com a preservação da intimidade, da imagem e da presunção de inocência dos cidadãos abordados”, informou a Polícia Federal. O órgão também destacou que normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil (PNAVSEC) vedam o registro de imagens de procedimentos, fluxos e infraestruturas sensíveis ligados à segurança aeroportuária.
Produzida pela empresa Moonshot, a série acompanha os bastidores da atuação de agentes da Receita Federal e de órgãos como Anvisa e Ibama em grandes aeroportos do país, mostrando apreensões de drogas, fiscalizações e abordagens a passageiros suspeitos de irregularidades. Segundo a produtora, as gravações da nova temporada começaram em dezembro de 2025 e haviam sido autorizadas nos aeroportos de Viracopos, em Campinas (SP), do Galeão, no Rio de Janeiro (RJ), e de Pinto Martins, em Fortaleza (CE).
No entanto, em janeiro deste ano, o credenciamento das equipes foi negado no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), e as autorizações já concedidas nos demais terminais foram cassadas. A Moonshot contestou a decisão, afirmando que, ao longo de sete temporadas exibidas desde 2016, todas as credenciais foram analisadas e aprovadas pela PF, sem registro de qualquer incidente ou comprometimento da segurança aeroportuária.
A produtora também sustenta que o programa tem caráter educativo e de interesse público, contribuindo para a transparência das ações de fiscalização nos aeroportos, e pediu a revisão da medida.
A Polícia Federal, por sua vez, reforçou que não há disputa institucional com a Receita Federal, principal foco do programa, e que a responsabilidade constitucional pela segurança aeroportuária é da PF, devendo prevalecer sobre outras atribuições em áreas restritas. A Receita Federal e os demais órgãos envolvidos ainda não se manifestaram sobre a decisão.
