O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu um convite formal do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um “Conselho da Paz” destinado a discutir o encerramento da guerra e a organização do pós-guerra na Faixa de Gaza. Segundo pessoas com conhecimento do assunto, Lula ainda não tomou uma decisão e deve analisar o convite apenas na próxima semana.
De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, o governo brasileiro só pretende se manifestar oficialmente após o presidente definir se aceitará ou não a participação no colegiado. Até o momento, não houve posicionamento público de Lula sobre o conteúdo da proposta ou sobre as condições para eventual adesão do Brasil à iniciativa.
O convite também foi enviado a outros líderes internacionais. Na Argentina, o presidente Javier Milei confirmou que recebeu a carta e publicou uma imagem do documento em suas redes sociais, afirmando que consideraria uma honra acompanhar a iniciativa liderada por Trump. A manifestação do presidente argentino contrastou com a postura cautelosa adotada pelo governo brasileiro até agora.
Anunciado por Trump, o chamado “Conselho da Paz” é apresentado como um dos pilares da segunda fase de um plano apoiado por Washington para encerrar o conflito em Gaza e estruturar a governança do território no período pós-guerra. Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, o conselho será presidido pelo próprio presidente norte-americano e deve tratar de temas como capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital internacional.
Reportagens e comunicados oficiais mencionam, entre os nomes associados ao conselho, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, além do empresário Marc Rowan e de Robert Gabriel, assessor de Trump no Conselho de Segurança Nacional. A composição exata, no entanto, pode variar conforme a fonte.
Paralelamente ao conselho, a Casa Branca informou que Trump designou o major-general Jasper Jeffers para comandar uma Força Internacional de Estabilização (ISF) em Gaza. A força teria como atribuições liderar operações de segurança, apoiar a desmilitarização e viabilizar a entrega segura de ajuda humanitária e de materiais para a reconstrução, dependendo de contribuições internacionais de tropas ainda não detalhadas publicamente.
Para Lula, a decisão envolve dilemas políticos e diplomáticos. Desde o início do conflito, em outubro de 2023, o presidente brasileiro tem defendido publicamente um cessar-fogo, a criação de um Estado palestino e a centralidade da ONU nos esforços de mediação. A eventual participação em um órgão liderado pelos Estados Unidos, fora do âmbito das Nações Unidas, pode gerar questionamentos internos e externos sobre a coerência da política externa brasileira, enquanto uma recusa também pode trazer custos na relação bilateral com Washington.
