Por volta das 10h30 de domingo (25), em meio a um forte temporal, duas amigas foram atingidas por um raio durante um ato político realizado na Praça do Cruzeiro, área central de Brasília. A concentração aguardava a chegada de uma caminhada associada ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O episódio deixou 89 pessoas feridas, das quais 47 precisaram ser encaminhadas a unidades de pronto-atendimento, segundo dados oficiais confirmados pelas autoridades locais.
Uma das atingidas, Lúcia Helena Canhada Lopes, 68, declarou em entrevista à Folha de S.Paulo que encarou o episódio como consequência de uma convicção pessoal. “Se eu tivesse morrido não teria problema, a causa é justa”, afirmou. Lúcia relatou ter ouvido um estrondo antes de desmaiar e, ao recobrar a consciência, pensou inicialmente se tratar de um atentado. Ela recebeu atendimento médico e teve alta após avaliação.
A amiga que a acompanhava, Maria Eli Silva, 58, apresentou o quadro mais grave. Após atendimento inicial no Hospital Regional da Asa Norte, ela foi transferida para o Hospital Santa Marta, em Taguatinga, onde permanece internada na UTI. Segundo o relato, Maria Eli sofreu queimaduras no pescoço e em parte do seio, além de dores intensas descritas como sensação de queimação. Após medicação para controle da dor, houve melhora clínica.
A viagem a Brasília foi decidida dias antes, após Maria Eli enviar a Lúcia um vídeo do parlamentar. As duas, que se conhecem há cerca de 40 anos e costumam viajar juntas, partiram de Jacareí (SP) de carro, após encontros familiares e paradas ao longo do trajeto. No veículo, levaram uma bandeira do Brasil com a inscrição “Fechado com Bolsonaro” e criaram um perfil em rede social para registrar a viagem.
Na entrevista, Lúcia afirmou que a motivação para participar do ato estava ligada às pautas defendidas por Nikolas Ferreira, a quem descreveu como honesto e comprometido com o uso adequado de recursos públicos. Ela também fez críticas ao governo do presidente Lula e disse se identificar com a direita.
Em declaração, Lúcia mencionou ainda o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que ele “colocou o sentimento de direita” muito forte em seu coração após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.
O sentimento de patriotismo, segundo Lúcia, antecede a atual conjuntura política. Ela relatou que, em 2017, percorreu o Caminho de Santiago de Compostela por 33 dias carregando uma bandeira do Brasil, além de manter acessórios com as cores verde e amarelo no cotidiano.
