Um empresário foi preso após se passar por médico e realizar atendimentos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no município de Cananéia, no litoral de São Paulo. A prisão ocorreu na quarta-feira (7), depois que pacientes e a administração municipal identificaram inconsistências nos exames realizados pelo suspeito, que utilizava documentação pertencente a outro profissional da área da saúde.
A fraude veio à tona durante um exame de ultrassonografia, quando o homem afirmou ter visualizado a vesícula biliar de uma paciente que já havia retirado o órgão em cirurgia anterior. Diante do erro, a mulher desconfiou do atendimento e comunicou o fato ao diretor de Saúde do município, que acionou a Polícia Militar. O suspeito foi detido ainda na unidade de saúde.
De acordo com a Polícia Civil, o empresário utilizava o número de registro profissional (CRM) de um médico que é sócio de uma clínica localizada na capital paulista. Além do caso envolvendo a vesícula, outros pacientes relataram diagnósticos considerados incompatíveis com seus históricos clínicos, como a negativa de gordura no fígado a um homem que já estava em tratamento para a doença.
Ainda segundo os relatos, os laudos emitidos apresentavam textos padronizados, com indícios de “copia e cola”, o que reforçou as suspeitas de irregularidade. Durante a abordagem policial, foram apreendidos carimbos médicos, blocos de receituários de diferentes clínicas e documentos do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo pertencentes a outro profissional.
No boletim de ocorrência, o suspeito informou de maneira informal que receberia R$ 2 mil pelos serviços prestados. Ele realizava os exames com equipamentos próprios dentro da UBS. A polícia o autuou pelos crimes de exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica, uma vez que se apresentava como outra pessoa e assinava laudos com identidade falsa.
Após passar por audiência de custódia, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. O empresário foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Registro, onde permanece à disposição da Justiça. Ao portal g1, o advogado de defesa, Celino Barbosa de Souza Netto, informou que irá recorrer da decisão judicial e buscar a absolvição do cliente ao longo do processo.
Em nota oficial, a Prefeitura de Cananéia informou que o falso médico atuou na UBS por apenas um dia e que o profissional verdadeiro havia sido regularmente contratado por meio da empresa gestora do sistema municipal de saúde. Segundo a administração, o suspeito apresentou documentos falsos a servidores públicos e também à autoridade policial.
A prefeitura afirmou ainda que instaurou sindicância administrativa, em conjunto com a empresa gestora, para apurar responsabilidades e aprimorar os mecanismos de controle. Todos os pacientes atendidos na terça-feira (6) estão sendo reconvocados para repetir os exames na próxima terça-feira, dia 13 de janeiro. Apesar de a ultrassonografia ser considerada um exame não invasivo e de baixo risco, o município destacou que sua realização por pessoa não habilitada configura grave violação ética e jurídica, lamentou o ocorrido e pediu desculpas à população.
