A Chevrolet confirmou o retorno do nome Sonic ao mercado brasileiro. Desta vez, o modelo não será mais um compacto hatch ou sedã importado, como era de 2012 a 2014, mas sim um SUV cupê compacto derivado do Onix, que revolucionará o segmento de entrada da marca a partir de maio de 2026. O lançamento marca uma estratégia da General Motors para aproveitar a enorme popularidade do Onix — que soma mais de 3 milhões de unidades vendidas — e ampliá-la para o segmento de SUVs, que domina as preferências dos consumidores brasileiros desde 2020.
O novo Sonic será fabricado na fábrica de Gravataí, no Rio Grande do Sul, a mesma que produz o Onix atualmente. A General Motors investiu R$ 1,2 bilhão na modernização dessa planta, permitindo que ela produza simultaneamente dois modelos pela primeira vez em sua história. Conforme confirmado pela montadora, a produção do Onix sofrerá uma pausa entre 5 e 16 de janeiro de 2026 para adequação das linhas de montagem, garantindo que tudo esteja pronto para o lançamento do Sonic. A parada estratégica reflete a importância que a companhia deposita neste novo SUV como peça central de sua restruturação produtiva.
Do ponto de vista técnico, o Sonic herda a plataforma GEM do Onix, mas ganha dimensões e altura superiores, consolidando sua silhueta de SUV cupê. Com aproximadamente 4,20 metros de comprimento e design agressivo — marcado por faróis Full LED divididos, grade frontal em formato marcante, capô elevado e um aerofólio preto que amplifica o efeito de cupê —, o novo Sonic promete combinar robustez visual com modernidade. O porta-malas oferece 400 litros de capacidade, um diferencial importante para o segmento. No interior, destaque para o painel digital de 8 polegadas e central multimídia flutuante de 11 polegadas, uma combinação inédita em SUVs de entrada da marca, além de um pacote avançado de sistemas de segurança ADAS — incluindo frenagem automática de emergência, alerta de colisão frontal, LKA (manutenção de faixa) e alerta de ponto cego —, tecnologias que até então eram exclusivas de modelos mais premium.
A motorização padrão contará com o motor 1.0 turbo flex de três cilindros, entregando 115 cavalos de potência e 17,9 kgfm de torque, acoplado à transmissão manual de 6 marchas ou automática de 6 velocidades. A Chevrolet também oferecerá uma versão básica com motor 1.0 aspirado (82 cv, 10,6 kgfm) para compradores mais sensíveis ao preço. Segundo informações da indústria, um motor 1.2 turbo e um sistema híbrido leve MHEV de 48V estão planejados para futuras atualizações do modelo, sinalizando que a Chevrolet pretende evoluir o Sonic em paralelo com as tendências do mercado.
O preço será um fator decisivo no mercado. Estimativas indicam que o Sonic partirá de R$ 100 mil na versão de entrada, chegando acima de R$ 140 mil nas versões mais equipadas. Essa faixa de preço coloca o novo SUV em direto confronto com concorrentes bem estabelecidos como o VW Tera (que parte de R$ 105.890), Fiat Pulse, Renault Kardian e Honda WR-V. O posicionamento estratégico da Chevrolet é claro: democratizar tecnologia e design em SUVs compactos, oferecendo um produto com inteligência de funcionários, segurança avançada e estilo cupê — algo ainda raro em preços tão acessíveis. Para a marca, o Sonic representa não apenas um novo modelo, mas uma porta de entrada que pode levar consumidores a futuras atualizações e modelos maiores da linha Chevrolet.
Estrategicamente, a ressurreição do Sonic alinha-se com a visão de longo prazo da General Motors no Brasil. Atualmente, o Onix permanece como o veículo mais popular da marca, mas a montadora reconhece que sua linhagem tradicional será descontinuada por volta de 2030. O Sonic, portanto, é pensado como seu sucessor natural — um modelo capaz de manter a posição de liderança em volume que Chevrolet desfrutou nos últimos anos, mas agora no formato SUV, que é aonde o mercado está migrando. A decisão de ressuscitar um nome histórico da marca, que havia ficado adormecido por mais de uma década, demonstra confiança da GM em consolidar o Sonic como referência de qualidade e inovação no segmento dos SUVs compactos brasileiros.
