A União Europeia (UE) aprovou nesta sexta-feira (9) o aguardado acordo de livre comércio com o Mercosul, encerrando um ciclo de mais de 25 anos de negociações. A decisão, tomada por maioria qualificada entre os países-membros, autoriza a assinatura oficial do tratado, prevista para ocorrer em 12 de janeiro, na cidade de Assunção, Paraguai. O pacto envolve os quatro países do bloco sul-americano — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O tratado, que une dois dos maiores blocos econômicos do planeta, cria a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 780 milhões de consumidores. O acordo visa eliminar tarifas sobre mais de 90% dos produtos comercializados entre as duas regiões, facilitando exportações, reduzindo barreiras alfandegárias e promovendo maior integração econômica.
Apesar do avanço, o tratado ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor. A proposta enfrenta resistência em diversos países europeus, sobretudo da França, Irlanda e Hungria, cujos governos manifestaram preocupações com os impactos no setor agrícola local, especialmente frente à concorrência de produtos agropecuários sul-americanos, como carne e grãos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou o valor estratégico do pacto, afirmando que ele fortalece os laços políticos e econômicos entre as regiões e representa um passo importante na diversificação das cadeias de suprimentos europeias, hoje fortemente dependentes de países como China e Estados Unidos.
Críticas ao acordo
Organizações ambientalistas e sindicatos europeus também expressaram críticas ao acordo, apontando preocupações com o desmatamento na Amazônia e com o nível de proteção aos trabalhadores nos países do Mercosul. Líderes do bloco sul-americano, por sua vez, celebraram a aprovação como uma conquista diplomática e econômica histórica, destacando os ganhos para suas exportações e atração de investimentos externos.
O acordo UE-Mercosul foi originalmente anunciado em 2019, mas enfrentou diversas interrupções desde então, principalmente por impasses ambientais e mudanças políticas nos países envolvidos. A retomada das negociações foi acelerada em 2023, e a versão final agora aprovada representa um compromisso entre interesses comerciais, ambientais e sociais de ambas as regiões.
