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Presidente Prudente (SP)

Mulher sofre violência doméstica, chama a polícia e apanha dos PMs, em Prudente

A vítima denunciou agressões sofrida por ela e pela mãe por parte do irmão, e acabou recebendo golpes de cassetete dos policiais militares

Imagem ilustrativa

Uma jovem moradora de Presidente Prudente (SP) fez uma denúncia de violência doméstica que ela e a mãe estavam sofrendo do irmão. A Polícia Militar foi até o local. Um vídeo revela que a jovem acabou sendo agredida também pelo policial, recebendo golpes de cassetete. O motivo seria que o agente não teria gostado da forma que ela falou com ele.

“Não vai fazer o B.O. (Boletim de Ocorrência)? Não vão levar meu irmão?”, como se o policial tivesse dito para ela não ir além com a denúncia. Além disso, a gravação da câmera de segurança do local registrou o momento em que ela é colocada na parte de trás da viatura para ser levada à delegacia, de pijama, descalça e sem documentos.

Veja o vídeo:

A vítima, não identificada, está sendo acompanhada por duas advogadas, de acordo com o portal Ponte. Ela e a mãe pediram para não ter seus nomes divulgados por medo de retaliações. Uma das advogadas, Aline Escarelli, relatou que, quando chegou à delegacia, o boletim já estava pronto e constava denúncias de desacato, não de violência doméstica, como ela esperava. Ela, então, se recusou a assinar o documento e pediu por um registro correto: violência doméstica e abuso policial.

Porém somente no dia seguinte, na Delegacia da Mulher, foi possível registrar a denúncia certa, que gerou um inquérito que corre na Polícia Civil de Presidente Prudente. As advogadas da vítima ainda protocolaram uma queixa-crime, pedindo proteção à mulher e enquadramento do PM por denunciação caluniosa e outros delitos, como prevaricação e cárcere privado.

“Ela fez o exame de corpo de delito, que apontou as agressões. Depois do ocorrido, a jovem mudou de cidade. O inquérito de violência doméstica foi concluído, mas nenhuma medida protetiva foi concedida à vítima até agora”, contou Escarelli. “Temos a violência doméstica, intensificada pela pandemia, e temos a violência do Estado, que é o maior violador de direitos humanos”, ressaltou.

Ariel Castro, advogado conselheiro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), acha que a ação foi resultado de um “total despreparo dos policiais”. “Ao invés de proporcionar proteção, ela foi revitimizada pelos PMs, o que inibe outras mulheres a chamares a polícia em situações similares”, pontuou.

Outro lado do caso

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o crime está sendo investigado por meio de inquérito policial, pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade. “Já o desacato e o possível abuso de autoridade são investigados pela Central de Polícia Judiciária (CPJ) do município e também pela Polícia Militar, que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apuração dos fatos. As diligências prosseguem”, consta o documento.

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