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ECONOMIA

Preço da carne dispara nos supermercados de Araçatuba; alta chega a 45%

(Folha da Região) – Os consumidores de Araçatuba levaram um susto ao chegar ao supermercado nesta segunda-feira (11). O preço da carne subiu até 45,48% nos principais estabelecimentos da cidade. É o caso do coxão mole – campeão para bifes e churrascos. O quilo do corte, que até sábado era vendido por R$ 16,49 em um dos principais pontos de vendas da cidade, agora custa R$ 23,99.

Variações equivalentes foram também registradas em outros cortes. A alcatra subiu de R$ 24,83 para R$ 29,80, alta de 20%. A picanha subiu de R$ 36,89 para R$ 41,89, aumento de 13,55%. Nos principais supermercados, também foi registrada alta de R$ 18,69 a R$ 23,94 no quilo do patinho, o que equivale a 28%.

A explicação para este aumento significativo vem do mercado internacional. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o aumento do preço que tem sido registrado em boa parte do País aconteceu por causa de uma forte demanda da China.

Segundo o órgão, na última sexta-feira (8), a chamada a “carcaça casada” do boi (traseiro, dianteiro e ponta de agulha) atingiu 12,35 reais por quilo, maior patamar da série do Cepea, iniciada em 2001. Até então, o maior preço já registrado, de 12,21 reais por quilo, havia sido visto em abril de 2015 (valor deflacionado) pela pesquisa do Cepea.

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“Pelo lado da demanda, tem a lógica da China vindo mais forte… A China causou uma pressão altista neste sentido, ao longo do ano”, disse o analista de pecuária bovina Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea, centro da Esalq/USP, em nota.

EXPORTAÇÃO

As exportações de carne bovina in natura do Brasil atingiram máxima histórica para um único mês em outubro, com embarques de 160,1 mil toneladas. O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo, em um mercado global com poucos players relevantes, que ainda têm alguns limites para atender a demanda.

“Se perguntar: onde se produz carne no mundo? Tem Argentina, Paraguai e Uruguai, mas eles têm limites de área; Austrália problema de seca, já exporta muito… E tem os Estados Unidos… Então o mundo se volta ao Brasil com a esperança de ter uma oferta barata”, comentou Carvalho.

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Nesta segunda-feira (11), o Ministério da Agricultura informou que a Arábia Saudita habilitou mais oito frigoríficos brasileiros de carne bovina, o que potencialmente significa mais concorrência pela carne entre a exportação e o mercado interno.

Além das exportações –que só recentemente passaram a representar mais do que os tradicionais cerca de 20% da demanda pela carne bovina brasileira–, o Brasil enfrenta uma oferta menor de animais para o abate, o que tem se refletido nos preços da arroba do boi em patamares historicamente elevados.

ARROBA

O valor da arroba bovina no Estado de São Paulo superou na última sexta-feira (8) os R$ 180 pela primeira vez, com uma economia com sinais de recuperação também influenciando nas cotações. Segundo a pesquisa do Cepea, o preço da arroba atingiu 181,90 reais, acumulando alta de 6,5% no mês de novembro.

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Quando se deflaciona a série histórica, o patamar atual é superado pelo preço visto em abril de 2016, de 182 reais, e ainda fica um pouco distante da histórica cotação de 190,84 reais, de abril de 2015, valor que também considera a inflação no período, segundo cálculos do Cepea.

“Temos oferta restrita, demanda bastante aquecida, especialmente a demanda para a China, a abate de fêmeas, novilhas e vacas, o que indica menor oferta de bezerro no futuro”, explicou Carvalho.

Ele lembrou que o Brasil teve um aumento de produtividade após um período seco em 2014 e 2015, mas o mercado interno ruim levou muitos produtores a abaterem fêmeas, no ano passado e no início deste, o que agora colabora para redução da oferta de gado.

“E tem a economia dando sinais de recuperação, isso gera uma demanda maior, temos que lembrar que cerca de 80% da carne bovina fica aqui”, disse o analista, comentando ainda que o varejo está formando estoques para as festas de final do ano, e os frigoríficos estão pagando mais pelo boi. De acordo com o pesquisador, com uma recuperação das margens da atividade, o pecuarista vai investir, o que pode gerar uma melhora da oferta mais adiante.

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