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ECONOMIA

O abate de um sonho: frigorífico milionário não sai do papel

O tão aguardado investimento milionário, com a instalação de um frigorífico que possibilitaria a geração de mil empregos em Araçatuba, este ano, não deve sair do papel. A Asperbras, dona do prédio onde funcionou os antigos Araçafrigo e Mataboi, negou que tenha firmado contrato com a empresa City Bulls Foods ou com qualquer outra empresa, para a reativação da planta local.

Em nota, a Asperbras informou que o prédio permanece sob sua propriedade e que no momento não está sendo realizada nenhuma atividade no local.

À imprensa, Marco Antônio Rodrigues Fernandes, que se apresentou como CEO da City Bulls, declarou que estava analisando a possibilidade de compra da Asperbras.

Ele chegou a anunciar investimentos de R$ 120 milhões e mil empregos diretos, com a previsão de abater 900 bovinos/dia para atender o mercado internacional e início de funcionamento em março. O anúncio foi feito em dezembro, durante reunião na Prefeitura de Araçatuba.

COLORADO

Fernandes é bastante conhecido em Colorado (PR), cidade com 25 mil habitantes, onde tentou reativar um frigorífico em 2016, com planos de abater 600 cabeças por dia, mas segundo o dono do prédio, Rogério Maia, não honrou os compromissos e foi convidado a deixar a área.

Ele teria de fazer um aporte na transação, assinada como arrendamento com proposta de compra futura, mas não o fez. “Ele faria um aporte que seria deduzido na compra, mas não honrou e eu pedi para que saísse do prédio”, contou Maia. A unidade não chegou a entrar em operação.

O CEO da City Bulls também teria contratado 30 funcionários e vários deles ficaram sem receber os salários prometidos. Um deles atuava no setor de controladoria e deixou de receber os R$ 48 mil por três meses de prestação de serviços.

“Tive que vender o carro para pagar as contas”, contou, dizendo uma funcionária teve de fazer o mesmo, porque também não recebeu. Ele pediu para ter o seu nome preservado.

SERVIÇOS

O publicitário Caio W. Martinez, de São Paulo, dono de uma agência de publicidade que prestou serviços à empresa City Bulls, durante a implantação do frigorífico em Colorado, contou que fez vários trabalhos de criação, orçados em R$ 22 mil, mas não recebeu o pagamento.

Ele disse, ainda, que teve prejuízo com a compra de passagens para ir a Colorado, no valor de R$ 5 mil, atendendo a um chamado do empresário, que acabou desmarcando a reunião um dia antes.

Antigo frigorífico deve permanecer com as portas fechadas em Araçatuba

Outro que também teve prejuízo foi o executivo do mercado de exportações de carne Anderlon Aparecido dos Santos, de São Paulo, que prestou serviços ligados à exportação e de gestão para o empresário de julho a setembro de 2016, mas também não recebeu.

“Fui cobrá-lo e percebemos que ele não tinha capital para tocar o empreendimento. Foi quando desistimos de continuar”, contou.

SONHOS

Foi Anderlon quem procurou a reportagem porque se sentiu na obrigação de alertar sobre o que pode acontecer em Araçatuba.

“É muito delicado você, nos tempos de crise, brincar com os sonhos das pessoas. Eu fico imaginando quantos trabalhadores sonharam em voltar para a planta de Colorado, e fiquei pensando agora quantas pessoas depositaram este sonho no possível retorno da operação da planta de Araçatuba”.

EMPREGOS

O anúncio da instalação de um novo frigorífico em Araçatuba chamou a atenção de milhares de pessoas em todo o País. Na planta da Asperbras, na Rodovia Elyezer Montenegro Magalhães, centenas de pessoas já foram ao local em buscar de informações para deixar os currículos.

OUTRO LADO

Nós tentamos contato com Fernandes várias vezes, mas ele não retornou às nossas tentativas de ouvi-lo.

 

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