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Caps e CR de Araçatuba se unem em projeto para evitar reincidência criminal

Auditório lotado. Cento e sessenta homens vestindo camisetas básicas e calças caqui aguardam em silêncio. Todos estão atentos à palestra que está para começar. O interesse tem uma explicação. O tema que será discutido, abuso de álcool e drogas, é muito próximo à realidade dos reeducandos do Centro de Ressocialização de Araçatuba.

A maioria responde processo pelos artigos 33 e 35 do código penal, tráfico de drogas e associação para o tráfico, com penas que podem chegar a até 15 anos de prisão. Muitos também são usuários de substâncias entorpecentes.

A psicóloga Nathália Biagi, do Caps ad II (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas de Araçatuba) assume o microfone. Durante quase duas horas, ela explica a ação do álcool, do tabaco e de drogas como maconha, cocaína e crack no organismo. Fala sobre a dependência química e os prejuízos que ela traz para a vida de quem sofre com essa doença.

Ela também explica o trabalho do Caps ad II, que oferece tratamento especializado, de graça e sem internação, para todos os que procuram o local, sem a necessidade de encaminhamento de outra unidade de saúde. Depois de uma série de perguntas, o encontro é encerrado com uma longa salva de palmas.

A palestra ministrada na última semana foi o primeiro passo de um trabalho pioneiro, realizado por meio de uma parceria entre o Centro de Ressocialização de Araçatuba e o Caps ad II.

“O objetivo é conscientizar os reeducandos com relação à prevenção às drogas, destacando as causas e consequências, uma vez que a maior parte deles já se envolveu com crimes relacionados às drogas”, explica a oficial administrativa Maria Rosana Zacarim que, junto com a estagiária de psicologia Flávia Cristina Santiago de Oliveira, idealizou o projeto. “Nas entrevistas que realizamos com os reeducandos também percebemos que muitos são usuários de drogas e outras substâncias, e que o uso teve grande influência na prática de crimes”.

Além da psicóloga Natália Biagi, o assistente administrativo Leonardo Tiano e o administrador da Associação das Senhoras Cristãs Benedita Fernandes, Andrey Negroni, também estiveram no Centro de Ressocialização para acompanhar a primeira etapa do projeto. A Associação é responsável pela administração do Caps ad II.

PRÓXIMOS PASSOS

Depois dessa primeira palestra, o projeto segue com uma série de reuniões com grupos pequenos, com cerca de 15 reeducandos, que terão oportunidade de falar sobre as próprias experiências com o uso de drogas e os prejuízos causados pelas substâncias entorpecentes. “Com esses diálogos, os reeducandos terão a oportunidade de aprender uns com os outros, refletir sobre o assunto e ter novas perspectivas que possam gerar uma mudança de atitude quando eles estiverem de volta à sociedade”, explica a psicóloga.

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Além dessa mudança de mentalidade, o projeto pretende apresentar o trabalho do Caps ad II aos reeducandos para que eles saibam onde podem encontrar ajuda para reduzir os danos da dependência química quando estiverem novamente em liberdade.

REINCIDÊNCIA

Segundo o diretor técnico do Centro de Ressocialização de Araçatuba, José Antônio Rodrigues Filho, a parceria com o Caps ad II é mais uma iniciativa para promover a reintegração dos reeducandos à sociedade e, principalmente, evitar que voltem a cometer crimes. “Nós desenvolvemos um trabalho diferenciado nesta unidade. Todos são tratados com respeito e exigimos que tenham responsabilidades.

Além disso, eles são convidados a refletir sobre as atitudes que os fizeram chegar até aqui e a pensar o que precisam mudar, para ter um futuro diferente. Dessa maneira, temos conseguido reduzir muito a reincidência. Com esse projeto, acreditamos que os resultados serão ainda melhores”, conclui.

Agentes das entidades envolvidas na iniciativa

Agentes das entidades envolvidas na iniciativa

Atualmente, a população do Centro de Ressocialização de Araçatuba é de 220 reeducandos. Alguns não participaram da palestra pois estão em regime semiaberto e permanecem fora durante o dia para trabalhar, mas serão incluídos nas próximas etapas do projeto. O CR de Araçatuba recebe principalmente presos de baixa periculosidade, que tiveram problemas com a Justiça pela primeira vez ou que já estão terminando de cumprir a pena.

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