A estudante de Nutrição Thaissa Gabriely de Oliveira Marques, de 21 anos, foi morta a facadas na tarde de sexta-feira (11), dentro de uma academia que ainda seria inaugurada em Londrina, no norte do Paraná. Um homem de 21 anos, identificado como Gabriel de Andrade, foi preso em flagrante e é investigado pelo crime.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito admitiu durante a abordagem que pretendia cometer violência sexual contra a jovem e que a matou depois que não conseguiu consumar o ato. A investigação trata o caso como feminicídio e também apura as circunstâncias da tentativa de estupro.
Thaissa trabalhava na divulgação da nova academia e, no dia do crime, entregava panfletos em frente ao estabelecimento. Conforme as informações divulgadas pela investigação, ela teria mostrado as instalações ao suspeito, que entrou no imóvel com a jovem.
O ataque aconteceu em uma área sem câmeras de monitoramento. De acordo com o relato apresentado pelo advogado da família, Mauro Martins, o suspeito teria tentado amarrar Thaissa com uma corda utilizada no local. Na sequência, segundo essa versão, a jovem foi atacada com uma faca.
Número de golpes
O número de facadas divulgado inicialmente foi de 46, informação também mencionada pelo advogado da família. Ele afirmou que a lâmina chegou a ter a ponta entortada durante o ataque.
Posteriormente, informações divulgadas com base em laudo da Polícia Científica apontaram 44 perfurações provocadas por faca, além de outras lesões. A divergência entre os números consta nas diferentes informações divulgadas sobre o caso e poderá ser esclarecida definitivamente no decorrer da investigação.
Suspeito teria tentado simular assalto
Após o crime, conforme informações divulgadas pela Polícia Civil, o suspeito teria escondido a faca no imóvel e saído do local. Na sequência, ele teria procurado a polícia e relatado inicialmente que havia sido vítima de uma tentativa de assalto.
A versão, porém, não se sustentou durante a abordagem. Segundo a investigação, Gabriel acabou confessando o assassinato aos policiais e foi preso em flagrante. A Polícia Civil também passou a analisar outros elementos para verificar se o crime foi planejado antecipadamente.
Reportagens publicadas durante a investigação apontaram que o suspeito teria procurado emprego na própria academia antes do assassinato e já conhecia o estabelecimento. A polícia também passou a verificar relatos e imagens que poderiam ajudar a esclarecer se havia algum tipo de monitoramento anterior da vítima.
Prisão preventiva
No sábado (12), um dia após o assassinato, a prisão em flagrante de Gabriel foi convertida em prisão preventiva durante audiência de custódia, conforme informado pelo Tribunal de Justiça do Paraná. Ele permanece preso enquanto as investigações prosseguem.
A defesa do suspeito, por meio do advogado Antônio Magalhães, manifestou respeito à família da vítima e afirmou que Gabriel possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo a defesa, ele colaborou com as autoridades e prestou esclarecimentos sobre o ocorrido.
A ONG Autimizar, de Londrina, se manifestou sobre o assunto e ressaltou que um eventual diagnóstico de TEA não deve ser associado, de maneira generalizada, à violência ou à criminalidade.
Quem era Thaissa
Thaissa era estudante do curso de Nutrição do Centro Universitário Filadélfia (UniFil), em Londrina. Segundo informações divulgadas pela imprensa, ela estava na reta final da graduação e também se preparava para prestar vestibular para o curso de Direito.
A morte da jovem mobilizou a comunidade acadêmica. A UniFil lamentou o assassinato e destacou a trajetória da estudante.
A investigação continua sob responsabilidade da Polícia Civil do Paraná, que analisa provas periciais, imagens, relatos e outros elementos para esclarecer a dinâmica do crime e verificar as circunstâncias que antecederam o ataque.

