Um agricultor de 36 anos foi preso preventivamente em São Gabriel da Palha, no Noroeste do Espírito Santo, suspeito de planejar matar o próprio filho, de 8 anos, para não pagar pensão alimentícia à ex-companheira. De acordo com a Polícia Civil, conversas encontradas no ChatGPT revelaram que o investigado descrevia seus planos, fazia pesquisas sobre venenos e demonstrava interesse por outros atos de violência. A prisão foi realizada no dia 19 de junho, um dia antes da data em que, segundo a investigação, o crime seria cometido.
Entre as mensagens analisadas pelos investigadores, o indiciado afirmou ter tentado contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para assassinar a criança. Conforme o conteúdo das conversas, o homem teria desistido do serviço ao descobrir que a vítima seria um menino de apenas 8 anos. Além disso, o agricultor fez perguntas sobre substâncias altamente tóxicas e seus efeitos no organismo, além de registrar pensamentos relacionados a ataques contra policiais e atentados em locais públicos.
Em outro trecho das conversas, o investigado escreveu que havia pensado em pegar uma arma para matar policiais próximos a um batalhão. Em outra mensagem, afirmou querer entender a origem da vontade de matar pessoas e declarou sentir satisfação ao ver outras pessoas sofrerem. Para a Polícia Civil, o conjunto das conversas reforçou os indícios de que havia risco concreto de execução do plano investigado.
Alerta da OpenAI
Segundo a corporação, a investigação teve início após a OpenAI, empresa desenvolvedora do ChatGPT, identificar o conteúdo das conversas e encaminhar um alerta ao FBI. A agência norte-americana repassou as informações ao Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça, que comunicou o caso à Polícia Civil do Espírito Santo. A partir dessas informações, os investigadores identificaram o suspeito, confirmaram que ele tinha um filho e solicitaram à Justiça mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva, cumpridos no dia 19 de junho.
Durante o depoimento, o agricultor reconheceu que realizou as pesquisas e escreveu as mensagens, mas negou que pretendesse matar o filho. Para o delegado Breno Andrade, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos, a investigação está baseada principalmente nas provas técnicas reunidas durante a apuração. A perícia realizada no telefone celular do investigado poderá ampliar a lista de crimes atribuídos a ele, incluindo possíveis acusações de tentativa de homicídio, ameaça, incitação ao crime e apologia ao crime, cuja definição dependerá da conclusão do inquérito.
De acordo com a Polícia Civil, este é o primeiro caso registrado no Espírito Santo em que uma investigação criminal foi iniciada após uma comunicação feita por uma plataforma de inteligência artificial às autoridades. Segundo informações do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça, trata-se de apenas o terceiro episódio desse tipo identificado no Brasil.

