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Estiagem deixa a conta de luz mais cara até o fim do ano

Usinas térmicas podem suprir a demanda e evitar apagão durante o período de seca, quando o nível dos reservatórios das hidrelétricas permanecerá baixo

O início do período de estiagem tem levado especialistas a fazer um alerta sobre o baixo nível em que se encontram os reservatórios das hidrelétricas, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. A possibilidade de um apagão de energia elétrica não está completamente descartada, a médio prazo, devido à falta de chuvas, dizem analistas. No momento, no entanto, mais preocupante que ficar sem luz será a convivência forçada com o impacto da alta do custo do serviço no orçamento familiar.

O aumento do chamado risco hidrológico já levou a Agência Nacional de Energia elétrica (Aneel) a aplicar a bandeira vermelha nível 1, neste mês, às tarifas. Com isso, as contas de luz sofreram acréscimo de R$ 4,169 a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos. E a perspectiva é de que o sobrepreço se mantenha nos próximos meses, com a bandeira vermelha podendo, eventualmente, subir para o nível 2, caso em que o acréscimo passaria para R$ 6,243 a cada 100 kWh de consumo.

O sistema de bandeiras tarifárias serve para orientar o consumidor sobre os custos da energia. E os custos sobem sempre que diminui a geração das hidrelétricas e o Operador Nacional do Sistema (ONS) precisa acionar as usinas térmicas, que produzem energia mais cara, como está acontecendo neste momento.

O aumento da tarifa afeta toda a economia. “A expectativa é de incremento de 15% a 16% no valor da fatura, em maio, com impacto de cerca de 0,18 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O Banco Central precisará subir os juros. Com isso, sobem o custo do dinheiro, do capital e dos investimentos”, explicou Alex Agostini, economista-chefe da Agência Austin Rating. “Além da pressão direta no preço da energia, o consumidor terá que enfrentar também o custo indireto do aumento do valor de outros produtos.”

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, disse que a expectativa é de bandeira vermelha 2, em junho, para fazer frente às despesas extraordinárias das distribuidoras com a crise hídrica. “O brasileiro gasta 4,26% do orçamento familiar com energia. Esse é o peso desse serviço no IPCA, que vai afetar toda a cadeia produtiva”, assinala.

O deputado Federal Édio Lopes (PL-RR), presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara, concorda que o preço da energia vai ficar mais salgado, mas afirma que o risco de apagão está afastado, pelo menos em 2021. “Embora tenhamos um risco pela falta prolongada de chuvas, a maior nos últimos 90 anos, não vejo apagão à vista. Nem mesmo blackouts pontuais. No máximo, há o risco da majoração no quilowatt de energia consumido”, afirmou o parlamentar.

“Não teremos um apagão semelhante ao de 2001. Antes, as usinas hidrelétricas tinham um peso de 90% na oferta de energia. Hoje, está na ordem de 60%. Agora, é diferente. Temos a alternativa de energia térmica, além de outras fontes, como a importação de países do Cone Sul”, garante Lopes.

O economista autônomo Hugo Passos explica o impacto da alta das tarifas para o consumidor. “Uma família que consome 200 KWh teria um adicional, com a bandeira vermelha, de R$ 8,338. Quem ganha um salário-mínimo (R$ 1.100) vai desembolsar, só com a bandeira vermelha, 0,76% do orçamento. Com a bandeira amarela, seria apenas 0,24%”, explicou.

A estudante de medicina Ellen Souza, 24, que mora em São João dos Patos (MA), está tentando enxugar o consumo para driblar o custo de vida. “Ficamos de olho nos aparelhos que consomem muita energia”, explicou. Morados do Gama, o empresário Jeeffrie Montteiro, 31, reclama da carestia. “Os preços só sobem e nunca regridem. Tiramos como exemplo o combustível, o gás de cozinha e, agora, da luz. Não vemos perspectiva nenhuma de queda”, lamentou.

*Estagiárias sob supervisão de Odail Figueiredo

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