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Fora do ar

YouTube derruba 4 vídeos de Bolsonaro por desinformação sobre Covid

Plataforma passou a remover conteúdos que defendem remédios sem eficácia.

© Antonio Cruz/Agência Brasil

O YouTube removeu mais quatro vídeos do canal do presidente Jair Bolsonaro “por violação das políticas de desinformação médica sobre a Covid” nesta sexta-feira (23). Neles, ele recomenda remédios que não têm comprovação médica para a doença.

Na última segunda (23), um vídeo de Bolsonaro já tinha sido tirado do ar pela plataforma por esse motivo. Assim, seriam 5 violações em menos de uma semana, o que, segundo a política de uso da plataforma, poderia resultar em suspensão.

Mas o YouTube diz que não tomou a medida porque existe um “período de carência”, uma vez que as regras sobre conteúdo com desinformação sobre a Covid na plataforma foram atualizadas recentemente (leia mais abaixo).

Todos os vídeos tirados do ar são das lives que o presidente faz às quintas-feiras. Nesta sexta, foram derrubados os vídeos de 9 de julho de 2020, 26 de novembro de 2020, 10 de dezembro e 11 de fevereiro de 2021. Na segunda, sai do ar o de 14 de janeiro de 2021.

Atualização na política

Há uma semana, o YouTube atualizou sua política de uso, acrescentando a seguinte regra: vídeos que recomendem o uso de hidroxicloroquina ou ivermectina para o tratamento ou prevenção da Covid-19 – o que não é comprovado por médicos – seriam tirados do ar, inclusive de forma retroativa.

‘Carência’ antes de suspensão

Pela política do YouTube, na primeira vez que um canal viola as políticas de uso, o criador recebe apenas um alerta, “informando que ele precisa conhecer melhor as regras”. Se desrespeitar as regras uma segunda vez, vem o primeiro Aviso (também chamado de “strike”, em inglês).

“Se você receber três avisos em 90 dias, seu canal será removido permanentemente do YouTube. Vale lembrar que cada aviso leva 90 dias, a partir da data de emissão, para expirar”, diz a plataforma.

No entanto, a empresa informou ao G1 que, no caso de violação que envolva uma regra que foi atualizada recentemente, existe um “período de carência” para que os criadores de conteúdo possam se adaptar. O prazo é de 1 mês a partir da implementação da política.

Isso significa que vídeos postados antes da mudança ou até um mês depois da atualização são removidos, mas não geram um aviso (“strike”) como penalidade. Assim, as 5 violações não resultaram na suspensão do canal de Bolsonaro.

Depois desse “período de carência”, os criadores que postarem novos vídeos em desacordo com a diretriz passam a receber sanções e, por isso, deverão redobrar a atenção, completa o YouTube.

As informações sobre a existência dessa “carência” foram publicadas na última quinta, no blog da empresa, apenas em português.

O que diz a política do YouTube
A plataforma informou no último dia 16 que passaria a retirar vídeos que tenham:

  • conteúdo que recomenda o uso de ivermectina ou hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19;
  • conteúdo que recomenda o uso de ivermectina ou hidroxicloroquina para prevenção da Covid-19;
  • afirmações de que ivermectina ou hidroxicloroquina são tratamentos eficazes contra a Covid-19;
  • alegações de que há um método de prevenção garantido contra a Covid-19;
  • afirmações de que determinados remédios ou vacinas são uma cura garantida para a Covid-19.

Além disso, em suas diretrizes, o YouTube diz que “também não é permitido o envio de conteúdo que dissemine informações médicas incorretas que contrariem as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS)”.

De acordo com a empresa, a conduta mencionada vale para:

  • tratamento;
  • prevenção;
  • diagnóstico;
  • transmissão;
  • diretrizes sobre distanciamento social e autoisolamento;
  • e a existência da Covid-19.

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