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Brasil

Transplantes de órgãos diminuem na pandemia e voltam ao patamar de 2017

Procedimentos de córnea, por exemplo, chegaram a sofrer queda de 53% em 2020

Arquivo/ Agência Brasil

Dezenove anos depois de seu primeiro transplante, o comerciante Fernando Henrique Salomão, 41, voltou à fila para receber um novo órgão depois de ter sido infectado pela Covid-19 em dezembro de 2020 e ter perdido seu rim para a doença. Natural de Bragança Paulista, no interior do Estado de São Paulo, Fernando relata que a notícia de que teria de voltar à fila de transplantes mexeu negativamente com ele, destacando que o contexto da pandemia do novo coronavírus torna as expectativas ainda mais baixas.

“A minha sensação é que realmente não há o que ser feito. Ela (a pandemia) acabou atrapalhando um contexto geral e, consequentemente, os doadores de órgãos acabaram diminuindo. E isso, para a gente que está na fila, é um desespero. Porque a gente sempre fica aguardando aquela ligação. A ligação de que tem um órgão para a gente retornar a uma vida o mais próxima do normal possível”, diz Fernando.

A situação vivida pelo comerciante também é a realidade de outras milhares de pessoas. No Brasil, de acordo com dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), cerca de 40 mil estão atualmente à espera de fazer a cirurgia e ter um novo órgão.

O ritmo da realização dos procedimentos estava acelerado até o começo da pandemia, quando as doações entraram em declínio rapidamente. O número de transplantes de órgãos realizados em 2020 caiu 12,3% em relação ao ano anterior e se igualou aos patamares de julho de 2017, quando 15,8 procedimentos por milhão de habitantes eram feitos anualmente. Desde 2013 o número estava em constante ascensão — de 13,2 no ano até 18,1 em 2019.

Em 2020, o impacto foi grande levando em conta o ano anterior. Entre os procedimentos mais afetados, estão: córneas (-53%), pulmão (-39%), rim (-25%), coração (-17%), pâncreas (-12,5%) e fígado (-10%).

De acordo com o editor do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) e membro da ABTO, Valter Duro Garcia, alguns procedimentos foram adiados para não expor nem o doador vivo e nem o transplantado aos riscos da Covid-19. Além disso, alguns órgãos não são considerados de tanta urgência — como é o caso da córnea. Todos os dados são do registro da ABTO.

Fato é que pandemia trouxe também dificuldades para esses procedimentos, visto que pessoas que morreram por complicações do coronavírus na maioria das vezes não podem ser doadoras. Após a morte do senador Major Olímpio, no último dia 18 de março, por Covid-19, o debate entrou em questão novamente.

O parlamentar do PSL era grande defensor do tema e desejava ter seus órgãos doados. A avaliação médica chegou a ser anunciada pela família nas redes sociais, mas os profissionais não permitiram o procedimento por causa das consequências da doença.

“Hoje, se uma pessoa morre por Covid-19 e ainda está com o coronavírus, não pode ser doadora. Depois de 30 dias que passou a doença, ela pode ser doadora. Isso é o que vale atualmente”, explica Garcia.

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